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    Projeto sobre streamings está travado na Câmara por influência da oposição e mobilização nas redes

    Texto chegou a entrar na pauta do plenário na terça-feira (14), mas não foi votado por falta de acordo

    PL dos Streamings foi protocolado por Paulo Teixeira (PT-SP)
    PL dos Streamings foi protocolado por Paulo Teixeira (PT-SP) 01/02/2021 REUTERS/Adriano Machado

    Rebeca Borgesda CNN

    Brasília

    A oposição ao governo na Câmara dos Deputados tem se movimentado para barrar o projeto de lei (PL) 8889/17, que regulamenta e cria impostos para o setor de streaming no Brasil.

    O texto chegou a entrar na pauta do plenário na terça-feira (14), mas não foi votado por falta de acordo, diante das críticas feitas por deputados nas redes sociais.

    O grupo de parlamentares alega que o texto representa censura às bigtechs e à produção de conteúdo nas redes sociais.

    A narrativa é semelhante à utilizada pela oposição ao longo da tramitação do PL 2630/20, o chamado PL das Fake News.

    Partidos ligados ao governo tentaram emplacar a matéria ao longo de 2023, mas não tiveram sucesso diante das críticas da oposição.

    O PL dos Streamings foi protocolado por Paulo Teixeira (PT-SP), atual ministro da Agricultura, em 2017. O texto cria normas para o provimento de conteúdo audiovisual por demanda (CAvD) — oferta de conteúdo para aquisição, por meio de download, ou por acesso direto, via streaming.

    Alíquota diferenciada para provedores nacionais

    Na última semana, o relator da matéria, André Figueiredo (PDT-CE), divulgou parecer sobre o texto. Entre os principais pontos está o estabelecimento de alíquotas da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine).

    O parecer prevê que a contribuição deve ocorrer com base no faturamento da plataforma, com alíquota máxima de 6% sobre a receita bruta. O imposto pode ser reduzido pela metade caso a empresa aplique o valor em conteúdos nacionais. O mesmo vale para provedores de TV por aplicação de internet e plataformas de compartilhamento de conteúdos audiovisuais, como o Youtube.

    No caso das empresas que têm ao menos 50% do catálogo composto por conteúdos brasileiros, chamadas de provedores plenos, o valor da alíquota será reduzido pela metade, passando para 3%.

    A alíquota pode chegar a zero no caso dos provedores plenos que investirem o valor da alíquota em produções de conteúdo audiovisual nacionais, capacitação de mão de obra voltada para a cadeia produtiva do Brasil e implantação de infraestrutura para o mercado nacional.

    É o caso de serviços de streaming nacionais, como o GloboPlay, do Grupo Globo, e o PlayPlus, da Record.

    Oposição alega “censura”

    No relatório divulgado, Figueiredo pontuou que a proposta tem como princípio a “proteção do patrimônio de obras brasileiras, na sua diversidade, reconhecida como fundamental para a preservação da cultura nacional”.

    Este é o maior ponto de divergência para parlamentares da oposição, que alegam que o PL beneficia empresas específicas em detrimento ao restante do mercado. O grupo também alega que o valor das alíquotas será repassado aos consumidores na ponta, encarecendo os serviços.

    Além disso, os parlamentares também têm chamado o texto de PL da Censura, apesar da matéria não tratar sobre limitação de conteúdo nas plataformas. Nas redes sociais, deputados se mobilizaram contra o texto.

    Em publicação no X (antigo Twitter), Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que é contra a pauta e que ela vai contra a “liberdade de influenciadores, jornalistas, produtores de conteúdo, YouTubers, humoristas, roteiristas de filmes”. “Se passar, não adianta reclamar”, publicou o deputado.

    Outros deputados ligados a siglas conservadoras também criticam o texto, como Gustavo Gayer (PL-GO), Zucco (PL-RS) e Mario Frias (PL-SP).

    Entidades defendem texto

    Apesar da mobilização contra o texto por grupos de parlamentares, entidades ligadas ao setor audiovisual defendem a aprovação da matéria. Segundo as organizações, a regulamentação do setor poderá trazer mais investimentos em produções brasileiras.

    “O audiovisual é um setor que, se não estiver devidamente regulamentado, com ações afirmativas previstas em lei, será ele mesmo um produtor de desigualdade social. É urgente a reparação histórica para que a população brasileira, em sua diversidade, possa se ver cada vez mais nas telas e que profissionais e empreendedores negros, com todos os outros, possam efetivamente integrar a dinâmica econômica do setor”, defendeu a Associação de Profissionais do Audiovisual Negro, em carta divulgada nas redes sociais.