PSDB adiará pretensões de Doria, mas não vai isolá-lo, diz José Aníbal

Segundo o ex-senador e ex-presidente nacional do PSDB, afirma que estados querem que Bruno Araújo siga por mais 12 meses à frente do partido

Produção de Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo

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O ex-senador José Aníbal (PSDB-SP) afirmou nesta quarta-feira (10), em entrevista à CNN, que a tendência é que a atual crise interna do PSDB acabe com a prorrogação do mandato do seu atual dirigente nacional, Bruno Araújo, por mais um ano.

Aníbal, que também é ex-presidente nacional do partido, disse que houve “uma reação no partido muito favorável” a Araújo após ser divulgado o interesse do governador paulista João Doria de substituí-lo à frente da legenda a partir de maio deste ano.

“Foi colocado o desejo de (João) Doria assumir a presidência do partido, houve uma discussão sobre isso e minha impressão é que a reação no partido foi muito favorável ao Bruno. Hoje tem uma manifestação de todos os diretórios estaduais do partido propondo o adiamento por um ano das convenções”, disse o ex-senador.

O tema será analisado nesta sexta-feira (12), durante uma reunião da Executiva Nacional do partido. Apesar desse movimento de diretórios estaduais, José Aníbal nega que Doria esteja “isolado” neste momento dentro do PSDB — mas admite que as pretensões do governador estão sendo, ao menos, “adiadas”.

“De modo algum. Não se isola nenhum governador, ainda mais um que está tendo protagonismo no cenário nacional. Não há isolamento, há o adiamento de uma pretensão do governador de ser presidente do partido. Não é por oportunismo, vetar o Doria ou impedi-lo”.

José Aníbal, ex-senador e ex-presidente do PSDB (10.fev.2021)
José Aníbal, ex-senador e ex-presidente do PSDB (10.fev.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Para José Aníbal, “o PSDB precisa se arrumar um pouco”.

“Acho que tem que ter posições que recuperem seu protagonismo na vida pública, precisa ajustar dentro do partido e dialogar rapidamente com a sociedade essas posições. A pandemia dificulta muito o encontro. Podemos ter esse período todo para reforçar posições urgentes de serem adotadas pelo governo e recuperar a narrativa do PSDB, que já governou o Brasil e espera voltar a governar”, afirma.

O ex-senador diz que decisões como essa são bem conversadas internamente. “Nunca se constituiu direções nacionais, candidaturas a presidente da República ou diretrizes do partido sem passar por um bom processo de discussão”, argumenta.

Publicado por Guilherme Venaglia

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