PT está preparado para enfrentar Flávio ou Tarcísio em 2026, diz Lindbergh

Líder da bancada na Câmara vê sigla fortalecida para eleições; partido deve atuar pelo fim da escala 6x1 e pela tarifa zero no transporte em 2026

Emilly Behnke, da CNN Brasil
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O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), declarou nesta terça-feira (16) que o partido está "preparado" para enfrentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou Tarcísio de Freitas (Republicanos-PB) nas eleições presidenciais de 2026.

"Eu acho, sinceramente, que o Lula é franco favorito para essa eleição. E nós estamos preparados para enfrentar o Tarcísio ou Flávio Bolsonaro, ou quem for o candidato. Eu acho que a gente sai no cenário de muita vantagem para o presidente Lula", afirmou em café com jornalistas na Câmara.

De acordo com Lindbergh, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem "fragilidades", mas faz parte da estratégia da família Bolsonaro para se manter no debate político.

"Eu não sei se vai ter um fim, mas eu não sou tão assertivo de dizer que [a candidatura] é fake, porque tem uma lógica. Se o Eduardo Bolsonaro não tivesse se enrolado tanto, decidido sair do país, ter feito tudo isso, creio que ele tentaria se colocar como um nome", disse.

Para o ano eleitoral, Lindbergh prevê o acirramento do debate político, mas avalia que o PT chegará na "ofensiva" e fortalecido em 2026. Ele destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é "estrategista" e experiente. "O presidente [Lula], mais do que ninguém, sabe fazer a disputa política. Fez isso a vida inteira", declarou.

Sobre o impasse de um nome para liderar a direita na disputa, o líder petista indicou ser algo positivo para o PT que ainda não exista uma definição. "Quanto mais confusão, a gente está preparado para qualquer um dos cenários", disse.

Sem detalhar nomes, Lindbergh criticou o que chamou de "trapalhadas" de presidentes de outros partidos. “Eu não consigo ver do lado de lá e – não quero subestimar os adversários — um núcleo de inteligência estratégica capaz de superar um cara com o raciocínio e com a capacidade política do presidente Lula”, afirmou.

O líder petista também disse ser necessário que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participe da disputa eleitoral. O nome do ministro é cogitado para a disputa ao governo de São Paulo, mas o PT tem adotado cautela ante a indefinição do cenário para as eleições presidenciais, com Tarcísio ainda como uma possibilidade.

Prioridades do PT

Em 2026, o líder do PT aposta que os benefícios da isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil devem fortalecer o governo. Segundo Lindbergh, o partido defenderá no próximo ano, entre outras pautas, o fim da escala de trabalho 6x1 e a tarifa zero para o transporte no país. Diversas propostas sobre o tema já tramitam no Congresso.

Ele ressaltou, no entanto, que o Executivo só deve enviar projetos considerados essenciais para o Congresso. Isso porque, com o período eleitoral, o petista prevê clima político mais acirrado no Legislativo.

"É um ano eleitoral, é um ano que a gente não vai querer acionar tanto o Parlamento. Eu acho que só em temas que são decisivos. Nós colocamos um aqui que é a escala 6x1 e colocamos a tarifa zero, mas não temos muita ilusão de que é um ano que a gente vai ter muita margem de manobra para aprovar projetos", declarou.

Sobre o novo programa do PT para a reeleição, o tema deve ser debatido em abril, durante congresso em nível nacional da sigla. O encontro é considerado como decisivo para os rumos do partido e a possível disputa de Lula pela reeleição.

Presente no café com jornalistas, o vice-presidente nacional do PT, deputado Jilmar Tatto (SP), reforçou que a escala 6x1 e a tarifa zero devem ser prioridades da sigla. "Nós vamos discutir conjuntura, tática eleitoral, diretrizes de governo, atualização do programa do PT e a atualização do estatuto", disse Tatto sobre o encontro em abril.