QG de Bolsonaro vê arrancada e trabalha ideia de "renascimento" na campanha
A expectativa é que, até o fim do mês, ele deva estar bem próximo a Lula nas pesquisas
A cúpula da campanha do presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta quarta-feira em encontro no qual foi avaliado que os bons indicadores econômicos deverão levar a uma arrancada nas pesquisas do candidato à reeleição. Em levantamentos internos, esse movimento já foi detectado, mas a expectativa é de que nas demais sondagens a serem feitas pelos institutos até o final do mês ele deva estar bem próximo ao líder das pesquisas, Lula.
A leitura é de que a retomada do emprego é a principal justificativa para o que vem sendo considerado um novo momento da campanha, algo que, segundo fontes do comitê, tem sido apontado inclusive nas pesquisas qualitativas internas. Mas não seria o único fator. A deflação e o novo Auxílio Brasil também são apontados como elementos. Foi avaliado que o momento é inclusive o ideal para uma arrancada -- a cerca de 50 dias do primeiro turno. A leitura é de que possa estar vindo uma onda em favor do presidente.
No encontro, do qual participaram, dentre outros, o senador Flavio Bolsonaro, o ministro Fabio Faria, o coordenador de comunicação Fabio Wajngarten e o marqueteiro Duda Lima, houve, porém, uma preocupação para que não haja demonstração de euforia nem salto alto na campanha. Segundo fontes, Flavio e Faria foram os que se manifestaram internamente com essa posição.
O clima, porém, segundo alguns dos presentes, era outro em relação a reuniões passadas. A expectativa é de que o momento possa até mesmo facilitar o ingresso de recursos financeiros para a campanha.
Foi feita também uma avaliação de que o foco deve ser mantido no eleitorado jovem e feminino, o que explica as agendas recentes do presidente. Nesta semana ele participou de um lançamento de um programa da Caixa Econômica Federal voltada ao público feminino e deu uma entrevista a um podcast popular entre o público jovem.
No entanto, há alguns pontos de apreensão na campanha. O maior deles hoje é com os atos convocados pelo próprio presidente para o Sete de Setembro. A preocupação é tanto com a forma como Bolsonaro irá conduzir as manifestações em seu apoio como também com a possibilidade de elas saírem do controle. Outros pontos também preocupam a campanha, como a forma como o presidente deve abordar assuntos sensíveis como pandemia e urna eletrônica e que, a depender da forma, podem afastar o eleitor-alvo da campanha agora: o de centro.
O comando da campanha também debateu a agenda ideal para o presidente no início da campanha. A ideia é que ele faça uma agenda ligada a religiosidade, como uma visita ao Santuário de Aparecida ou a outro símbolo similar (foram mencionados o Cristo Redentor no Rio e a estátua de Padre Cícero em Juazeiro), e outra visita em Juiz de Fora, onde ele sofreu uma tentativa de assassinato na campanha de 2018. Na cidade mineira, foram debatidas três possibilidades: visitar o local em que ele sofreu o atentado, o hospital em que ele foi atendido ou um local neutro para fazer um comício. A ideia com as duas agendas é passar a mensagem de "renascimento" do presidente.
Nos dias seguintes, avaliam-se visita ao interior paulista: São José dos Campos, cidade de Felício Ramuth, candidato a vice de Tarcísio de Freitas; e a Barretos, para a Festa do Peão do Boiadeiro.
Debate
As emissoras CNN e SBT, o jornal O Estado de S. Paulo, a revista Veja, o portal Terra e a rádio NovaBrasilFM formaram um pool para realizar o debate entre os candidatos à Presidência da República, que acontecerá no dia 24 de setembro.
O debate será transmitido ao vivo pela CNN na TV e por nossas plataformas digitais.



