Queiroga volta à CPI para explicar contradições e dúvidas, diz Aziz

Ministro da Saúde presta 2º depoimento à comissão nesta terça-feira (8) e deve ser questionado sobre Conitec, uso de máscara e dispensa de Luana Araújo

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo; produzido por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, será ouvido novamente pela CPI da Pandemia nesta semana – o depoimento dele foi adiantado para a terça-feira (8) –para explicar questões que surgiram a partir de novos depoimentos e esclarecer temas tratados por ele em sua primeira oitiva, disse o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM).

“A primeira questão é o fato de a [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS] Conitec não ter se posicionado ainda em relação ao uso da cloroquina (…) Segundo, a política pública em relação à questão sanitária – o uso ou não de máscara“, disse Aziz, em entrevista à CNN.

“A terceira questão foi levantada após o depoimento da doutora Luana [Araújo], a quem ele agradeceu e sabe que é muito competente, mas não continuou no governo. Por outro lado, a Mayra Pinheiro, que pensa totalmente diferente dele, continua no governo”, continuou.

O senador também ressaltou o fato de Queiroga ter dito em seu depoimento que tinha total autonomia para montar sua equipe – o que não teria se mostrado verdade no caso da desistência de nomear Luana Araújo.

“Essas questões mostram que o ministro Queiroga não manda tanto quanto acha que manda no Ministério da Saúde. Por isso dele ser chamado novamente.”

Reconvocar Pazuello não teria utilidade

O senador afirmou também que apesar de ser uma possibilidade, a volta do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à CPI, na sua opinião, “não teria utilidade”.

“Nesse momento, o máximo que a gente pode ter é uma acareação, mas perder um dia falando com ele não dá mais. Não temos tempo para gente perder com uma pessoa que não vai contribuir”, afirmou.

Senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Pandemia
Senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Pandemia
Foto: CNN Brasil (07.jun.2021)

Ele também disse não considerar relevante a possível convocação do presidente afastado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, por considerar que pouco poderia contribuir para as investigações da CPI.

“Quem apresentou [o requerimento] foi o senador Randolfe [Rodrigues, vice-presidente da CPI] e será votado amanhã, não só esse, mas vários requerimentos (…) Mas no meu ponto de vista, ele pouco ou quase nada pode contribuir para a CPI da Pandemia – isso é outra questão, futebol.”

Vídeo reforça tese do gabinete paralelo

Aziz também comentou um vídeo divulgado no fim de semana pelo portal Metrópoles que mostra uma reunião do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em setembro de 2020, com a imunologista Nise Yamaguchi, o deputado Osmar Terra, o virologista Paolo Zanotto e outros médicos de diversas especialidades.

“Toda ajuda é boa, mas ali todos tinham um pensamento único, não houve um debate – e estamos falando de setembro, quando vacinas já estavam sendo testadas (…) Isso só veio á tona, a sociedade só tomou conhecimento, porque a CPI existe”, disse o presidente da comissão.

“O presidente não é obrigado a entender de tudo, mas é o brigado a ouvir todos os lados e, após provarem o que é mais correto, tomar uma decisão”, continuou.

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