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    Quem combateu a vacina vai ter que pedir desculpa, afirma Lula

    Presidente se reuniu com representantes da saúde e diz que vai cobrar que sociedade trabalhe em prol da vacinação contra a Covid-19

    Gabriela Pradoda CNN

    O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta quinta-feira (24) com a equipe de transição de saúde, instituições e cientistas. De repouso, por causa de um procedimento na laringe, ele participou de forma virtual do encontro. A CNN teve acesso a um vídeo com um trecho do encontro.

    Segundo participantes da reunião, Lula abriu e encerrou o encontro, ainda um pouco rouco. Ele afirmou que a prioridade inicial do governo será recompor o Programa Nacional de Imunizações e fazer com que os brasileiros voltem a acreditar nas vacinas. O presidente eleito considera essa a prioridade para os primeiros cem dias de governo, inclusive, para a vacinação contra a Covid-19.

    Lula ainda reforçou que quer conversar com igrejas que se posicionaram contra a vacina para que essas pessoas “peçam desculpas” e ajudem nas campanhas de imunização.

    “A gente não pode achar que vamos anunciar a vacina, e o povo vai tomar. O povo tem que ser convencido outra vez a tomar vacina. E vamos ter que pegar muita gente que combateu a vacina, e vai ter que pedir desculpa”, diz Lula no vídeo.

    Lula ainda reforçou que o governo federal deve encontrar recursos para a saúde em vez de reclamar da falta deles. O petista disse que não irá faltar dinheiro para o Sistema Único de Saúde (SUS).

    Na fala, o presidente eleito ainda demandou aos presentes que façam propostas para melhorar o atendimento no SUS e encontrem formas de diminuir o tempo de atendimento. O petista considerou que as filas que as pessoas enfrentam são motivo de “angústia”.

    Para ele, é necessário “vencer um pouco a burocracia na máquina pública”. “Vamos tentar ter que romper com isso porque todo o nosso lema, além da saúde de qualidade, é atender esse povo. O povo está muito sofrido. Nós vamos ter que pensar além da vacina”, disse o presidente eleito.

    Cada participante da reunião pode falar por cinco minutos. Lula quis ouvir demandas dos especialistas e qual pode ser o cenário da Covid-19 nos próximos meses.

    “O fato de ele ouvir quais são os nossos desafios já demonstra o tom republicano e democrático. Lula sabe que temos desafios importantes no cenário da Covid-19. Precisamos de testes, vacinas e no momento, as medicações são insuficientes. Foi muito importante expor a situação”, comentou Alexandre Naime, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

    A reunião teve participantes presenciais da equipe de transição e de forma virtual de instituições com representantes do Instituto Butantan e da Fiocruz.

    Para o presidente do Conselho Nacional de Secretário de Saúde, Nésio Fernandes, a reunião “foi um marco”. “Ficou claro que Lula quer colocar a saúde no centro do governo”, comentou.

    Lula encerrou o encontro já perto das 13h. O presidente eleito brincou dizendo que a mulher dele, a socióloga Janja, disse que ele estava “falando demais”. “Nós precisamos voltar a ter uma medicina humanizada, qualificada e funcional”, afirmou no final.