"Quem mais provoca o Supremo é a classe política", diz Temer

Ex-presidente afirmou que o STF apenas cumpre o papel de guardião da Constituição e avaliou que a judicialização da política ampliou, na prática, o alcance das decisões da Corte

Daniela Mallmann e Leticia Martins, da CNN Brasil, Belo Horizonte e São Paulo
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O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou, nesta segunda-feira (30), que o STF (Supremo Tribunal Federal) atua dentro das competências previstas pela Constituição e, segundo ele, o aumento da judicialização no país fez com que mais temas políticos passassem a ser decididos pela Corte.

“A função do Supremo Tribunal Federal é guardar a Constituição. Por isso, todas as questões acabam indo parar no Supremo", afirmou Temer durante evento com empresários em Minas Gerais.

Segundo o ex-presidente, o crescimento do protagonismo do STF está ligado não apenas à ampliação prática de suas atribuições, mas também ao comportamento de políticos, que recorrem com frequência ao Judiciário quando há impasses legislativos ou derrotas no Congresso.

“Aumentou, sensivelmente, o núcleo de competências do Supremo Tribunal Federal. O segundo ponto é que, na verdade, quem mais provoca o Supremo é a classe política. E a gente sabe disso. Alguém perde lá um projeto de lei vai bater nas portas do Supremo e o Supremo tem que decidir, não pode se omitir."

Em entrevista anterior à CNN Brasil, Temer já havia afirmado que a jurisdição do Supremo é “inerte”, ou seja, depende de provocação para agir.

O ex-mandatário também reforçou que o debate institucional, na avaliação dele, deve se concentrar no conteúdo das decisões e não nas atribuições constitucionais da Corte.

“Você não pode discutir as competências do Supremo, você pode discutir o mérito", finalizou.