"Quem tem medo da PF?", questiona Moraes em 1ª fala em julgamento no STF

Magistrado saiu em defesa da corporação após acusações da existência de uma "Polícia Federal paralela"

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, São Paulo
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Durante sua primeira fala no julgamento realizado nesta terça-feira (15), no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Alexandre de Moraes rebateu críticas de outros ministros sobre a atuação de agentes da PF (Polícia Federal).

Moraes mencionou acusações de André Mendonça e Luiz Fux de que uma "Polícia Federal paralela" realizaria supostas investigações contra magistrados da Corte.

Além de defender a instituição, o Moraes fez acusações de que Mendonça fez tentativas de forçar uma delação contra Alexandre de Moraes. O magistrado afirmou possuir testemunhas que poderiam comprovar a conduta.

"Quem tem medo da PF? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que ela colocasse um colega na colaboração premiada? Vamos trazer aqui testemunhas que eu vou indicar, não só policiais, advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas de que o ministro André [Mendonça], em reunião, disse: 'Incluam o ministro Alexandre, porque ele está a serviço de um grupo político", disse ao questionar o ministro André Mendonça.

Mendonça rebateu dizendo, mais de uma vez, que a declaração de Moraes era uma "mentira".

Além de Moraes, o ministro Gilmar Mendes defendeu a atuação da Polícia Federal, mas voltou a tecer críticas à presença de delegados da instituição nos gabinetes dos magistrados da Corte. Segundo o decano, “trazer delegados para cá é errado”. Para ele, a atuação dos agentes como assessores poderia levar à confusão entre as funções do Judiciário e da própria polícia.

A fala retoma uma proposta apresentada por Gilmar ao presidente do STF, Edson Fachin, no início do mês. O ministro defende a proibição de policiais e militares como servidores cedidos aos gabinetes dos ministros. À época, argumentou a interlocutores que os gabinetes estariam se transformando em “delegacias de polícia”.

Sessão histórica

A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.

Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

Na segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Também na segunda, Mendonça também retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.