Ratinho vira réu na Justiça por violência política contra deputada do PT
Apresentador criticou projeto de lei da deputada, que assegurava tratamento igual entre casais na celebração do casamento civil; CNN pediu posicionamento do réu e aguarda retorno

A Justiça Eleitoral de São Paulo acatou a denúncia do MPE (Ministério Público Eleitoral) e tornou o apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, por violência política contra mulher após declarações feitas à deputada federal Natália Bastos Bonavides (PT), em 2021.
Em um programa de rádio, Ratinho criticou um projeto de lei da deputada, que assegurava tratamento igual entre casais na celebração do casamento civil. Na ocasião, ele disse para Natália "ir lavar roupa, costurar a calça do marido, a cueca dele."
"Porque isso é uma imbecilidade querer mudar esse tipo de coisa. Tanta coisa importante, o país precisando de tanta coisa e vem essa imbecil pra fazer esse tipo de coisa!", disse Ratinho sobre a deputada.
Em outro trecho, o apresentador teria dito que seria necessário "eliminar esses loucos" e se seria possível "pegar uma metralhadora", segundo o MPE.
A Justiça Eleitoral alegou que a fala de Ratinho foi "um ato de humilhação e constrangimento" que menospreza "a condição de mulher".
"Tais falas remetem a um estereótipo de gênero que relega a mulher ao espaço doméstico e deslegitima sua presença e atuação na esfera pública e política. A sugestão de que a parlamentar deveria se dedicar a tarefas domésticas em vez de exercer seu mandato é um ataque direto à sua legitimidade como representante eleita, fundamentado em uma visão discriminatória de papéis sociais de gênero", diz trecho da decisão.
A Justiça ainda afirmou que a declaração de Ratinho sobre eliminar "esses loucos" tem potencial intimidatório e ameaçador. "A sugestão de violência física como resposta a uma atuação parlamentar, independentemente da intenção final, pode ser interpretada como uma forma de constrangimento e ameaça", complementa.
Na época, Natália disse que a situação foi um "fato muito grave" para sua atuação como parlamentar. À reportagem, a deputada disse que "estão levando esse caso muito a sério" e que recebeu até ameaças de morte após a repercussão do caso.
"Foi uma decisão importantíssima, e que permitirá que Ratinho seja julgado criminalmente pelo crime que cometeu. A luta por justiça nesse caso não está sendo fácil, em determinado momento ouvi que ele ter sugerido me metralhar era entretenimento e não tinha problema. Mas persistir nessa luta é uma questão de princípio, porque vai muito além de como me atingiu individualmente", completou.
A CNN tentou contato com a equipe de Ratinho para um posicionamento, mas ainda não teve retorno.


