Rede reage com "indignação e perplexidade" à permanência de Marina Silva

Ex-ministra do Meio Ambiente anunciou decisão de disputar o Senado pela sigla no sábado

Alan Cardoso, da CNN Brasil, São Paulo
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A Direção Nacional do partido Rede Sustentabilidade afirmou, em nota divulgada nesta terça-feira (7) nas redes sociais, ter recebido com "indignação e perplexidade" a decisão de Marina Silva permanecer na sigla para disputar uma vaga ao Senado, por São Paulo.

No comunicado, o partido afirma que a “indignação” é motivada pela recusa da ex-ministra do Meio Ambiente em dialogar com a direção partidária e a "perplexidade" por sua filiação ou desligamento nunca terem sido questionados pela Rede.

"As especulações sobre sua saída sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita", diz a nota. Marina teria avaliado sair da Rede devido a disputas internas e convites de outras siglas, como PT, PSOL e PSB, que se intensificaram após seu grupo ser derrotado nas eleições internas do partido, que elegeram Paulo Lamac, defendido pela ex-aliada Heloísa Helena, para o diretório nacional.

No último dia 4, Marina anunciou publicamente que continuaria na Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar em 2015. A decisão foi tomada depois que ela deixou o cargo como ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com a intenção de disputar uma vaga no Senado por São Paulo.

Na nota, o partido afirmou que diversas decisões tomadas por Marina deixaram a sigla "desconfortável" e causaram "momentos de forte tensão interna". Alguns dos posicionamentos da ex-ministras foram questionados por seus próprios apoiadores, como o endosso a Aécio Neves nas eleições presidenciais de 2014, o apoio ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a concordância com a intervenção federal no Rio de Janeiro, em 2018.

Segundo o partido, as decisões de Marina custaram a perda de quadros importantes. A sigla afirmou também que "não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo”.

"Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas", afirmou o partido.

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Veja a nota na integra:

Recebemos com indignação e perplexidade a nota em que a deputada Marina Silva anunciou sua “permanência” na REDE. Indignação porque a ex-ministra recusa-se a dialogar com a direção partidária. Perplexidade porque em nenhum momento o partido questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento. As especulações sobre sua saída sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita.

Escolhida de forma democrática, a direção da REDE trabalha diariamente para fortalecer o partido de baixo para cima, em conformidade com o estatuto, o programa e os princípios fundacionais de 16 de fevereiro de 2013. É essa orientação que tem permitido posicionar a REDE com clareza no campo democrático-popular, assegurando crescimento orgânico, coerência política e presença institucional.

A REDE não tem dono. É um partido construído para conviver com divergências, sem submissão a vontades individuais. Assim foi em momentos de forte tensão interna, inclusive quando Marina defendeu posições desconfortáveis para parte do partido, como no apoio a Aécio Neves em 2014, na defesa do impeachment e na concordância com a intervenção federal no Rio de Janeiro. Mesmo diante desse giro político, que custou à REDE a perda de quadros importantes, jamais houve sanção, censura ou perseguição ou declarações de autoritarismo.

Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna. Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas.

Também não procede a tentativa de apresentar saídas recentes de mandatários como fruto de perseguição. Não houve expulsão. Houve, isso sim, uma tentativa frustrada de esvaziamento eleitoral, que não prosperou diante da chegada de novas lideranças, como Luizianne Lins e André Janones. Alguns saíram; outros permaneceram, inclusive a própria ex-ministra, ainda com obrigações partidárias a cumprir.

A judicialização em série promovida por seu grupo, com centenas de ações, configura prática de lawfare: o uso abusivo da Justiça como instrumento de disputa interna e perseguição política. Ao contrário do que se tenta fazer crer, a Justiça não anulou o 5° Congresso Nacional da REDE. A maior parte das ações foi rejeitada, e a atual direção segue plenamente reconhecida, inclusive com integrantes do grupo de Marina em sua composição.

Seguimos firmes no apoio à reeleição de Lula, na defesa da vitória de Haddad em São Paulo e no compromisso com a democracia, a justiça social, o combate à crise climática e a soberania nacional.

Todos os que desejem fortalecer eleitoralmente a REDE são bem-vindos, evidentemente respeitando as regras partidárias e do bom convívio. Decisões referentes a apoios e candidaturas da REDE serão tomadas no âmbito do partido com diálogo e bom senso, mas de forma altiva e sem interferências externas. Divergências devem ser enfrentadas pelas vias estatutárias, com debate franco e leal. A REDE não se curva a imposições de quem quer que seja. Essa independência faz parte de seu DNA, de sua história e de sua credibilidade.