Relator da PEC do Orçamento de Guerra e Guedes veem dificuldades para aprovação

Parlamentares ouvidos pela coluna reclamam que "ninguém sabe a saúde financeira dessas empresas" que teriam os títulos comprados pelo governo

O ministro da Economia, Paulo Guedes
O ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: Adriano Machado/Reuters

Basília Rodriguesda CNN

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O relator da PEC do Orçamento de Guerra, Antonio Anastasia, afirmou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que o Senado não irá aprovar a permissão ao Banco Central de comprar títulos da dívida privada enquanto a proposta seguir prevendo imunidade de quem deverá operar as transações no mercado.

Guedes, integrantes da equipe econômica e o senador realizaram uma videoconferência na noite deste domingo (12). O relatório será apresentado nesta segunda-feira. Mas a expectativa de votação não é das melhores.

Parlamentares ouvidos pela coluna reclamam que “ninguém sabe a saúde financeira dessas empresas” que teriam os títulos comprados pelo governo. E mais: “não dá para aprovar PEC dando imunidade”.

Um auxiliar do ministro Guedes avaliou à CNN que “os senadores, por desconhecerem os assuntos, têm certo receio de aprovar”. Esse auxiliar atribuiu a dificuldade dos senadores à linguagem técnica do texto, o que foi objeto da reunião com o relator da proposta.

Anastasia ressaltou como é diferente articular virtualmente um texto em que não há consenso. “Quando o ambiente é virtual, sem olho a olho, há certa retração dos parlamentares”, afirmou uma fonte da equipe econômica que participou da reunião.

O ministro da Economia tem realizado videoconferências com várias bancadas, com objetivo de recuperar o contato com o Congresso e conseguir a aprovação de pautas de interesse do governo.

As chamadas “lives” com Guedes, que já chegaram ao recorde de 3 horas de duração, costumam ser voltadas para uma pauta mais ampla, genérica, que vai de coronavírus às reformas que o governo ainda quer ver aprovadas neste ano. 

Na última, com a presença à distância de senadores, saiu a informação de que o ministro afirmou que o PIB poderia recuar 4%. O contexto seria de queda se após julho o problema do coronavírus não for contornado.

Um interlocutor de Guedes afirma que ele foi mal interpretado e se irritou com a repercussão. Coisas de live.

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