Renan Calheiros tenta convencer G7 a indiciar Braga Netto na CPI da Pandemia

Segundo Calheiros, há muitas divergências a serem debatidas pelo G7, como número de crimes atribuídos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

Da CNN

Em são Paulo

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O relator da CPI da Pandemia e senador Renan Calheiros (MDB-AL), tenta convencer o G7, grupo majoritário da CPI da Pandemia, a aceitar a inclusão no seu relatório final de um pedido de indiciamento do ministro da Defesa, Braga Netto, pelos erros no enfrentamento à pandemia.

A informação, apurada pelo analista de política da CNN Caio Junqueira, foi confirmada pelo próprio Renan Calheiros.

O general da reserva foi ministro da Casa Civil durante grande parte da pandemia e, na função, coordenou oficialmente as ações de combate à Covid-19.

Renan afirmou que já teria finalizado seu relatório, mas a versão que ele finalizou não é necessariamente a que irá a voto. Uma reunião da cúpula da CPI deverá ocorrer nesta sexta-feira (15) para que Calheiros possa discutir o documento com a ala majoritária da Comissão.

Há muitas divergências a serem debatidas, por exemplo, a própria inclusão de Braga Netto dentre os pedidos de indiciamento. Além disso, também não há consenso quanto ao número de crimes atribuídos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Na versão que Calheiros finalizou nesta quinta-feira (14), há onze crimes atribuídos ao presidente, como epidemia com resultado de morte, infração de medida sanitária preventiva, charlatanismo, incitação ao crime, falsificação de documento particular, emprego irregular de verbas públicas, prevaricação, violação de direito social, incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo, genocídio de indígenas e crime contra a humanidade.

O crime contra indígenas é outro exemplo de que não há consenso no G7 sobre a versão final do relatório.

Renan Calheiros também incluiu, na versão final do seu relatório, pedidos de indiciamento do senador Flávio Bolsonaro, do deputado federal Eduardo Bolsonaro e do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro. Todos terão pedidos de indiciamento por descumprimento de norma sanitária e incitação ao crime.

Calheiros adicionará a Flávio o crime de advocacia administrativa, em razão de ter intermediado um encontro no BNDES para Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos.

O relator também incluiu no relatório o pedido de indiciamento de dois atuais ministros do governo: Onyx Lorenzoni, ministro do Trabalho, e Marcelo Queiroga, ministro da Saúde.

O ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello também aparece com destaque no relatório final. O relator elenca crimes conexos com o presidente e outra série de crimes que considera que o ex-ministro praticou sozinho, possibilitando, porém, que a investigação contra ele seja feita na primeira instância.

(Publicado por Evandro Furoni)

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