Resolução do PT faz elo do Master com Flávio e governo Bolsonaro; entenda

Posicionamento, publicado no site do partido, exalta investigação do caso durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aponta existência de "dois projetos distintos de nação em disputa"

Gabriela Piva, da CNN Brasil, em São Paulo
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O PT (Partido dos Trabalhadores) publicou uma resolução na qual relaciona o escândalo do Banco Master, liquidado pelo BC (Banco Central), com o governo de Jair Bolsonaro (PL) e com o pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

A resolução exaltou a investigação do caso durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apontou a existência de "dois projetos distintos de nação em disputa".

O lado de Lula é colocado como o "Brasil que respeita a ciência, que investe em universidades públicas, que fortalece o SUS (Sistema Único de Saúde)", valoriza a cultura e entende que conhecimento, saúde e educação são pilares de um projeto de desenvolvimento soberano".

Para o PT, o outro lado representa um projeto que exaltaria um país voltado ao "negacionismo, racismo, que sabotou a compra de vacinas durante a pandemia, espalhou mentiras contra a ciência, extinguiu o Ministério da Cultura e atacou as universidades públicas".

O partido argumentou que o "escândalo do Banco Master é o retrato desse modelo". Como argumento, disseram que a fundação do banco ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o BC, o Master foi criado em 2021; Bolsonaro esteve no poder entre 2019 e 2022.

"O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades", começou.

O PT continuou a representação e criticou a gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro para comandar a instituição.

"Diante de tantas evidências, cabe perguntar: por que o Banco Central, então sob a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, não tomou as medidas necessárias para intervir e proteger o sistema financeiro e os recursos públicos", completou.

A resolução ainda citou as doações de Fernando Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para as campanhas eleitorais de Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

"Criado e expandido nesse ambiente político, o banco manteve relações estreitas com setores da direita brasileira e com governos alinhados ao bolsonarismo. Não por acaso, Daniel Vorcaro e o Banco Master doaram milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, enquanto lideranças da extrema direita, como o deputado Nikolas Ferreira, utilizaram diversas vezes o jatinho de Vorcaro", disse.

O servidor Paulo Sérgio, ex-diretor de fiscalização do Banco Central, também foi alvo das críticas. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a operação Compilance Zero, deflagrada pela PF (Polícia Federal), que investiga as circunstâncias do Banco Master.

"Soma-se a isso o fact de que o servidor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização da autarquia e também nomeado durante o governo Bolsonaro, atuava na prática como um empregado-consultor do próprio dono do banco", afirmou.

E completou: "Governadores bolsonaristas chegaram a adquirir títulos podres com dinheiro público e foi o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, bolsonarista, que tentou uma manobra para salvar o Banco Master com recursos públicos."

A resolução do PT afirmou que "esses elementos revelam que não se tratade um episódio isolado, mas de um sistema de relações promíscuas entre operadores políticos, interesses financeiros e setores do State que protege privilégios de poucos em detrimento do interesse nacional."

O posicionamento ainda relaciona o caso com a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República, afirmando que se trata de uma "continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas".

"Trata-se de um parlamentar marcado por denúncias e investigações envolvendo esquemas de rachadinha, movimentações financeiras suspeitas e um histórico de enriquecimento incompatível com a vida pública", completou.

À CNN Brasil, a equipe da família Bolsonaro disse que não se manifestará sobre a resolução.

A reportagem não encontrou o contato da equipe de Paulo Sérgio, mas o espaço está aberto para manifestação.

A CNN Brasil também tenta contato com Roberto Campos Neto, Ibaneis Rocha e Nikolas Ferreira para um posicionamento, mas não teve retorno até o momento desta publicação.