Ricardo Baronovsky: Estado é laico, mas não laicista e não nega a religião

No quadro Liberdade de Opinião desta quarta-feira (1º), comentarista Ricardo Baronovsky avalia a sabatina de André Mendonça na CCJ do Senado

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta quarta-feira (1), o comentarista Ricardo Baronovsky analisa a sabatina do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública André Mendonça diante da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Mendonça foi indicado em julho pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), no lugar de Marco Aurélio Mello.

Segundo apuração da âncora da CNN Daniela Lima, Mendonça – que também foi advogado-geral da União – deve adotar um discurso em defesa do Estado laico diante da CCJ. Isto porque o jurista é pastor em uma igreja presbiteriana de Brasília e faz parte da promessa de Bolsonaro de indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para a Suprema Corte.

Para Baronovsky, o debate em torno da sabatina não deve se pautar pela religião do candidato que, na sua visão, preenche o requisito do notável saber jurídico. “Quando se coloca muito discurso religioso em volta, esquecendo a pessoa que está por detrás, me recordo de inúmeras situações em que isso ocorreu. Sim, o Estado é laico, mas o Estado não é laicista. Ele não nega a religião.”

“Os dez ministros que lá estão também têm seu credo e isso não é levado em consideração para medir cada ministro. O Estado não é antirreligioso, ele não nega uma religião. Ele admite todas: judeus, católicos, evangélicos…”, completou.

Segundo o comentarista, a entrada de um ministro evangélico no STF “oxigenará” a Corte e ampliará o debate. “Tivemos há pouco tempo a suspensão das missas. [A presença de Mendonça] traria mais conhecimento técnico para esse debate.”

Baronovsky também avaliou o histórico de medidas que buscavam garantir a laicidade do Estado, como a retirada de crucifixos de repartições públicas e da expressão “Deus seja louvado” das cédulas de dinheiro.

“Se tivéssemos que fazer isso, também teríamos que mudar o nome dos estados. São Paulo se chamaria “Paulo”, Santa Catarina se chamaria “Catarina”, Espírito Santo eu não sei como resolveria”, afirmou.

O Liberdade de Opinião desta quarta-feira (1º) teve a participação de Fernando Molica e Ricardo Baronovsky. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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