Rio de Janeiro: veja quem são os pré-candidatos ao governo e ao Senado

Atual governador deve tentar a reeleição; estado tem o peso do histórico de envolvimento de governadores em escândalos

Palácio Guanabara, no Rio, sede do governo do Rio de Janeiro
Palácio Guanabara, no Rio, sede do governo do Rio de Janeiro Governo do Rio de Janeiro

Brayan Valêncio*colaboração para a CNN

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Um levantamento realizado pela CNN apontou quem são os pré-candidatos para o governo estadual e para o Senado no Rio de Janeiro. Os partidos podem mudar as indicações até 5 de agosto, quando acaba o prazo para a escolha de candidatos e candidatas.

A eleição para o governo do Rio de Janeiro em 2022 tem o peso do histórico de envolvimento em escândalos dos antecessores. O último governador eleito, Wilson Witzel (PSC) foi destituído do cargo com base em investigações da Operação Placebo, que apontou desvios na gestão de saúde.

Os pré-candidatos ao governo estadual

Desde a saída de Witzel, em abril de 2021, o vice Cláudio Castro (PL) assumiu o comando e é o principal candidato da direita na disputa. Formado em direito, o político já foi vereador e chefe de gabinete.

Diferentemente do seu ex-companheiro de chapa, que rompeu com Jair Bolsonaro, Castro se aproximou dos filhos do presidente e se filiou ao mesmo partido dele. Com forte relação com a Igreja Católica, o governador tem o apoio de conservadores e religiosos.

Os novos nomes de oposição podem complicar o território do veterano em eleições Marcelo Freixo (PSB). Uma das lideranças da oposição em Brasília, o deputado federal saiu do PSOL já almejando o governo do Rio de Janeiro. Tem destaque no cenário nacional e deve ser o candidato do ex-presidente Lula no estado. Ele acumula o capital político de ter chegado ao segundo turno contra Marcelo Crivella, em 2016.

Ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz (PSD) ganhou popularidade por críticas feitas a Bolsonaro. Ele é filho de Fernando Santa Cruz, desaparecido político durante a ditadura. Com 49 anos, Santa Cruz é novidade na política e tem apoio de Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio, e Gilberto Kassab, presidente da sigla e ex-prefeito de São Paulo.

Pelo PDT, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves é o pré-candidato ao governo. Neves foi vereador em Niterói e deputado estadual antes de se tornar prefeito de Niterói em 2013, reeleito em 2016. Durante seus primeiros 20 anos de carreira, foi filiado do PT; depois, passou pelo PV antes de migrar ao PDT em 2017.

Quem busca viabilizar sua candidatura é o ex-governador Anthony Garotinho (União Brasil), que não encontra unanimidade no seu partido, inclinado a apoiar Cláudio Castro. Ele também tem duas condenações por improbidade administrativa e cooptação de votos, que o tornariam inelegível, mas Garotinho espera concorrer nas eleições por conta de um recurso que ainda tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Paulo Ganime (Novo), líder do partido na Câmara dos Deputados, foi escolhido como pré-candidato pela legenda. Formado em Engenharia de Produção, ele está no primeiro mandato. Ligado ao movimento RenovaBR, o político de 38 anos levanta bandeiras do combate à corrupção e da transparência na máquina pública.

Também confirmaram suas pré-candidaturas ao governo do estado o ex-deputado federal Cyro Garcia (PSTU) e o professor Eduardo Serra (PCB). Garcia é doutor em história e chegou a participar das fundações do PT e da CUT. Também presidiu o Sindicato dos Bancários do Estado do Rio de Janeiro. Já Serra leciona na Escola Politécnica e no Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Fotos – Os pré-candidatos ao governo do Rio de Janeiro

Os pré-candidatos ao Senado

O senador Romário (PL) deve ser candidato à reeleição. Popular como ídolo do futebol brasileiro, ele trocou o Podemos pelo PL antes da chegada do presidente Jair Bolsonaro e do governador Cláudio Castro à legenda. Romário foi eleito deputado federal em 2010 e ganhou a corrida ao Senado quatro anos depois; em 2018, perdeu a disputa para o governo do estado.

Alessandro Molon (PSB) é um dos possíveis adversários oposicionistas na disputa. Deputado federal e referência da centro-esquerda nas redes sociais, Molon foi candidato à prefeitura do Rio em 2008 e 2016. Ele é professor e radialista.

A indicação de Molon pode complicar o acordo feito entre PT e PSB pela candidatura de Freixo, pois os petistas pretendem lançar o nome do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, André Ceciliano, como candidato ao Senado. Político influente no estado, ele é deputado estadual com mandatos consecutivos desde 2011. Também foi prefeito de Paracambi, na Região Metropolitana da capital fluminense.

Quem também aparece na lista de possíveis candidatos é Marcelo Crivella (Republicanos), ex-prefeito da capital e ex-senador. Sem conseguir a reeleição em 2020, o político ligado à Igreja Universal tenta se viabilizar como potencial puxador de votos na Câmara Federal, mas uma eventual disputa ao Senado não está descartada.

Clarissa Garotinho (União Brasil), deputada federal e filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, também é uma possível candidata. Com berço político em Campos dos Goytacazes, a política já foi vereadora e deputada estadual e deve ter sua base eleitoral no interior, embora já tenha concorrido a vice-prefeita do Rio em chapa com Rodrigo Maia.

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, o Cabo Daciolo (PDT), se tornou o pré-candidato pelo partido de Ciro Gomes ao Senado. Ex-sargento do Corpo de Bombeiros, Daciolo foi líder das manifestações dos bombeiros no Rio de Janeiro em 2011 e desde então se tornou atuante na política. Sua forte ligação com a fé cristã é uma de suas características mais conhecidas.

Ex-deputado federal pelo PSOL, Daciolo ganhou projeção nacional durante a disputa à Presidência em 2018, quando passou boa parte da disputa presidencial em orações em um monte carioca e viu seu bordão “Glória a Deus” ficar famoso.

Pelo PSOL, a pré-candidata ao Senado é Luciana Boiteux, que se apresenta como advogada, professora universitária, pesquisadora e feminista, militante dos direitos humanos.

Confira abaixo os senadores cujos mandatos terminam em 2023. As vagas deles no Senado estarão em jogo nas eleições deste ano

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto pela TV e por nossas plataformas digitais.

*Com informações de Gabriela Ghiraldelli e Leonardo Rodrigues, da CNN

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