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    Saber que “respirava do mesmo ar” de supostos mandantes é “perturbador”, diz sobrevivente do atentado contra Marielle

    Fernanda Chaves era assessora da vereadora na ocasião e estava no carro no momento da execução

    Daniel RittnerRenata Souzada CNN Brasília e São Paulo

    A única sobrevivente do atentado que matou Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, falou à CNN nesta segunda-feira (25) sobre prisão dos três supostos mentores do crimes. Fernanda Chaves era assessora de imprensa da então vereadora e estava no carro no momento da execução.

    Segundo ela, apesar de nunca ter falado diretamente com o deputado federal Chiquinho Brazão e com o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Domingos Brazão, acusado de idealizar o assassinato, as novas informações do inquérito são “perturbadoras”.

    “Já circulei, já passei por eles, isso é extremamente perturbador. Saber que eu respirava do mesmo ar, da mesma atmosfera, do que a pessoa que mandou matar Marielle é perturbador”, disse.

    Fernanda explicou que, por ser assessora imprensa parlamentar há mais de duas décadas, sempre frequentou espaços da política.

    A jornalista ressaltou que, embora o alvo do atentado fosse a vereadora, os envolvidos não se preocuparam com “efeitos colaterais” — o que culminou na morte de Anderson e a “tornou uma vítima de tentativa de homicídio”.

    Nos seis anos que se seguiram ao crime, Fernanda diz que precisou lidar com o receio de continuar trabalhando no meio.

    “Desde sempre a gente sabe que esse crime envolveria um setor da política. Desde os primeiros momentos da investigação ficou muito claro que era um atentado político. Então eu sempre convivi com esse receio”, explicou.

    Além dos irmãos Brazão, também foi preso no domingo o ex-chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, que atuou nas investigações do caso e, agora, foi acusado por ter participado do planejamento do crime.

    Com Rivaldo, Fernanda lembra de só ter tido contato durante depoimento às autoridades imeadiatamente após o crime. Apesar disso, a jornalista conta que o delegado era uma referência em casos ligados aos direitos humanos, sendo conhecido, inclusive, de Marielle.

    “Sempre foi uma pessoa referência para esse tema. A Marielle conhecia ele, sobretudo pelo trabalho dela anterior à vereança”, disse.

    “A família foi recebida por ele. Ele falou que era uma questão de honra levar essa investigação até o final. Isso é muito chocante”, acrescentou.