Sai como provável investigado, diz relator sobre Nelson Wilians na CPMI

Deputado afirmou que o depoimento do advogado foi “frustrante” e criticou o silêncio para a maioria das perguntas

Emilly Behnke, da CNN, Brasília
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O relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou nesta quinta-feira (18) que o advogado Nelson Wilians será um “provável investigado” pelo colegiado.

Wilians foi convocado para depoimento na comissão. Na oitiva nesta quinta, ele decidiu não fazer o compromisso de dizer a verdade e adotou o silêncio para a maior parte das perguntas. O advogado negou envolvimento nas fraudes do INSS.

“[Nelson Wilians] chega aqui como uma testemunha e sai daqui como um provável investigado pela CPMI. Não havia razão para muitas das perguntas ele ter como resposta esse silêncio. O silêncio dele falou muito alto”, afirmou o relator a jornalistas no Senado.

Para o deputado, a oitiva foi “frustrante” e ele defendeu ampliar as investigações a partir de quebras de sigilo. “Nós temos que ir atrás das outras estruturas criminosas. E por que ainda não chegamos a esse ponto? Porque o afastamento dos sigilos também ainda não está sob a nossa tutela”, disse.

Sobre o silêncio de Nelson Wilian, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a CPMI terá condições de elaborar um parecer com base nos dados recebidos, mesmo sem a cooperação de convocados nos depoimentos. O colegiado já aprovou dezenas de requerimentos de informações, além da quebras de sigilo.

“Nós não necessitamos de nenhum depoimento das pessoas confirmando ou não as quebras de sigilo e as informações obtidas. O relatório vai ser feito com base nessas investigações, nessas informações”, disse.

Para o depoimento, Wilians teve habeas corpus parcialmente acatado pelo ministro Nunes Marques do STF (Supremo Tribunal Federal). A decisão garantiu o direito ao silêncio e o de não assumir o compromisso de falar a verdade. Na sexta-feira (12), o advogado foi alvo de buscas e apreensões, em São Paulo.

“As pessoas podem vir aqui com habeas corpus, não falar absolutamente nada, é um direito delas, mas elas não podem fugir dos fatos. As investigações, as quebras de sigilo estão mostrando claramente a responsabilidade de cada um. A meu ver, o silêncio só confirma o que está sendo colocado pelos parlamentares”, declarou Viana.

Na oitiva, Nelson Wilians repetiu diversas vezes que não tem relação com o “objeto de investigação da CPMI”. Ele negou conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Admitiu, no entanto, conhecer e ter relação de amizade com Maurício Camisotti, empresário investigado e preso na sexta-feira.