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    Saiba quem é Marcos do Val, senador que participou de reunião com Bolsonaro sobre golpe

    Parlamentar afirmou que o ex-deputado federal Daniel Silveira o levou a encontro com o então presidente da República

    Senador Marcos Do Val (Podemos-ES)
    Senador Marcos Do Val (Podemos-ES) Marcos Oliveira/Agência Senado

    Douglas Portoda CNN em São Paulo

    O senador Marcos do Val (Podemos-ES) segue com o futuro incerto na política, depois de declarar em uma transmissão ao vivo, na madrugada desta quinta-feira (2), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o teria o coagido a participar de um plano que resultaria em um suposto golpe de Estado.

    Posteriormente, afirmou que o ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) o levou a reunião com Bolsonaro. Segundo seu relato, a ideia de Silveira incluía gravar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em busca de declarações comprometedoras do magistrado.

    Durante live na madrugada desta quinta-feira (2) com o ex-deputado estadual de São Paulo Arthur do Val (conhecido como Mamãe Falei) e Renan Santos, ambos do Movimento Brasil Livre (MBL), ele afirmou que deixaria a política e renunciaria ao cargo. Entretanto, horas depois, disse que a decisão ainda não estava fechada.

    A live com os integrantes do MBL foi feita para que Do Val se defendesse das acusações, feitas pelo próprio movimento, de que ele seria um “traidor” da base bolsonarista e que ele teria votado em Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a Presidência do Senado. Pacheco, que venceu a eleição, teve o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o candidato bolsonarista era Rogério Marinho (PL-RN).

    Mais tarde, também nesta quinta-feira, Marcos do Val mudou a versão e disse que Bolsonaro ficou em silêncio enquanto Daniel Silveira falava sobre tentativa de golpe. À noite, a revista “Veja” publicou uma entrevista do senador na qual ele voltou a relatar uma ordem do então presidente para gravar a conversa com Alexandre de Moraes.

    Histórico do senador

    Do Val tem 51 anos e é natural de Vitória, no Espírito Santo. Foi militar do Exército Brasileiro no 38º Batalhão de Infantaria, em Vila Velha (ES).

    O parlamentar é fundador do Centro Avançado em Técnicas de Imobilizações (Cati), que desenvolve técnicas de imobilizações táticas para o preparo de agentes de segurança pública e privada.

    Ele diz ser mestre em aikido, uma arte marcial de origem japonesa, com diplomação e credenciamento pela federação internacional da modalidade.

    Em sua biografia, o senador declara que sua empresa treinou agendes da Swat, Nasa, FBI, Navy SEALs, do Vaticano e de outras 120 corporações policiais dos Estados Unidos, Brasil, China, França, Espanha entre outros países.

    O parlamentar esteve presente no treinamento de atores e figurantes do filme “Tropa de Elite”, com incursões em favelas e demais exercícios militares.

    Tem o título honorário da Swat de Beaumont, no Texas, o de mestre honoris causa em artes marciais pela Facei e o de doutor honoris causa em artes marciais pela Universidade Erich Fromm World University, na Flórida.

    Em 2018 concorreu em sua primeira eleição, conseguindo 863 mil votos e ficando com a segunda vaga de senador pelo Espírito Santo, à época pelo PPS, que se tornou o atual Cidadania. Em 2019, um ano depois de ter sido eleito, trocou o Cidadania pelo Podemos.

    No Congresso Nacional participou da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), e foi vice-presidente da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC).

    Em 2021 se destacou durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, como um ferrenho defensor das ações do então governo Bolsonaro.

    Controvérsias

    Segundo o analista de política da CNN Iuri Pitta, Do Val é visto em Brasília como uma figura controversa e sem credibilidade. “Aquelas pessoas que, uma hora dizem uma coisa, e outra hora dizem outra. Que é o que está acontecendo neste momento em relação a este episódio desta conversa com o ex-deputado Daniel Silveira e o ex-presidente Jair Bolsonaro.”

    No Senado, ainda segundo apuração de Pitta, a visão dos parlamentares é a de que Do Val precisa apresentar esclarecimentos ao Conselho de Ética sobre os relatos feitos hoje sobre a reunião.

    A analista de política da CNN Larissa Rodrigues acrescenta que, na manhã desta quinta, o PL fez uma reunião para tratar do assunto. Segundo ela, antes de os fatos virem à tona, havia uma negociação adiantada para que Do Val deixasse seu atual partido, o Podemos, e migrasse para o PL.

    “Os parlamentares disseram que ninguém entendeu nada, porque já tinham conversas adiantadas, inclusive, com o pessoal muito ligado ao próprio Bolsonaro dentro do Partido Liberal”, informou Larissa.

    Ainda conforme a apuração da analista da CNN, políticos ligados tanto ao PL quanto ao PT definiram Do Val como um “político problemático” e que, por esse motivo, estão com “o pé atrás” em relação às denúncias feitas.

    (Com informações de Iuri Pitta e Larissa Rodrigues)