Saiba quem são os réus do núcleo 4, julgados pelo STF nesta terça

Grupo é composto por sete pessoas entre ex-integrantes do governo Bolsonaro, militares do Exército e agentes de inteligência

Gabriela Boechat, da CNN Brasil, Brasília
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O STF (Supremo Tribunal Federal) começa nesta terça-feira (14) o julgamento do núcleo 4 no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.  

O grupo é acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de articular disseminação de informações falsas sobre as urnas eletrônicas e fomentar ataques contra o sistema eleitoral e as instituições democráticas. 

Entre os sete réus estão ex-integrantes do governo de Jair Bolsonaro (PL), militares do Exército e agentes de inteligência. Saiba quem são e o que aponta a acusação: 

Ailton Barros 

Ailton é ligado ao ex-presidente e foi expulso do Exército em 2006. Em 2022, se autointitulou o "01 de Bolsonaro" na campanha a deputado federal pelo PL.  

Ele é apontado como elo entre militares e civis que defendiam a ruptura institucional.  

Segundo a PGR, Barros trocou mensagens com o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro, para discutir ataques virtuais contra os comandantes do Exército e da Aeronáutica por se recusarem a apoiar o plano de golpe. 

Barros também teria pressionado o então ajudante de ordens Mauro Cid a convencer o ex-chefe do Executivo a dar um golpe de Estado. 

Ângelo Denicoli 

Major da reserva, Denicoli é acusado de editar e divulgar documentos com informações falsas sobre as urnas eletrônicas e o sistema de votação.  

Para o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, há provas de que ele atuava como intermediário entre quem produzia o material de desinformação e jornalistas e influenciadores que o espalhavam nas redes. 

Ele atuou como diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS (Sistema Único de Saúde), quando o general Eduardo Pazuello (PL-RJ), atual deputado federal, estava à frente da pasta. 

Giancarlo Rodrigues

Sargento do Exército, Giancarlo é acusado de ter usado a estrutura do Estado para montar uma rede clandestina de espionagem.

Segundo a denúncia, ele criou uma estrutura paralela dentro da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para monitorar opositores.   

Guilherme Almeida 

Tenente-coronel do Exército, Almeida teve mensagens, vídeos e áudios recuperados pela investigação nos quais tenta sustentar a falsa narrativa de fraude nas eleições de 2022.  

Em áudio obtido pela PF, Almeida sugeriu "sair das quatros linhas [da Constituição]" e criticou o que chamou de “postura silenciosa” dos comandantes das Forças Armadas. 

Reginaldo Abreu 

Coronel do Exército, Abreu é acusado de tentar manipular relatórios oficiais para alimentar a narrativa golpista.

O relator afirmou que ele propôs mudanças falsas em documentos do Exército e chegou a imprimir, no Palácio do Planalto, um texto sobre a criação de um “gabinete de crise” que atuaria após o golpe. 

 Marcelo Bormevet 

Policial federal, Bormevet chefiou o CIN (Centro de Inteligência Nacional) da Abin e teria usado recursos de inteligência de forma ilegal para monitorar opositores.  

Segundo a PGR, ele era o responsável por indicar os alvos que deveriam ser pesquisados pela estrutura paralela da Abin, sem qualquer relação com questões estratégicas do país. 

Segundo a PF, em 2021, o policial deu ordens a um subordinado para “mandar bala" e "sentar o pau" em um assessor do então ministro do STF Luís Roberto Barroso. 

Carlos Cesar Rocha

Fundador do IVL (Instituto Voto Legal), Rocha elaborou em 2022, a pedido do PL, um relatório que falava em supostas falhas nas urnas eletrônicas. 

Com base no documento, o PL defendeu que as supostas falhas justificariam a anulação de parte dos votos computados. 

Segundo a PGR, mesmo sabendo que os dados eram falsos, ele participou de entrevistas e transmissões ao vivo para difundir a ideia de que o pleito havia sido manipulado. 

Julgamento

Este é o segundo núcleo da trama golpista a ser julgado pela Primeira Turma do STF. Em setembro, o colegiado condenou Bolsonaro e outros sete integrantes do núcleo 1.

A sessão desta terça começará às 9h com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes. Ela vai até às 19h, com intervalo para almoço.

Depois de Moraes, falam a PGR e as defesas.

Há outras sessões marcadas para os dias 15, 21 e 22 de outubro.