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    Eleições 2022

    Secretários de SP avaliam deixar cargos após apoio de Rodrigo a Bolsonaro, dizem interlocutores

    O secretariado do governo estadual recebeu com surpresa a decisão de Garcia, sobretudo pelo uso do termo “apoio incondicional”

    O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), no debate entre os presidenciáveis promovido pela TV Globo
    O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), no debate entre os presidenciáveis promovido pela TV Globo MARCELO FONSECA/ESTADÃO CONTEÚDO

    Teo Curyda CNN

    em Brasília

    Secretários do governo do Estado de São Paulo avaliam deixar os cargos em razão do apoio do governador Rodrigo Garcia (PSDB) ao presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. A definição de parte deles será tomada após reunião com o governador nesta quarta-feira (5).

    Os secretários Rodrigo Maia, de Projetos Estratégicos, Zeina Latif, do Desenvolvimento Econômico, e Laura Machado, do Desenvolvimento Social, estudam deixar o governo, conforme aliados deles relataram à CNN. O martelo deve ser batido após conversa com Garcia na manhã desta quarta. Procurados, os secretários Maia, Latif e Machado não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

    O encontro de trabalho, que já havia sido marcado com antecedência pelo governador, será realizado no Palácio dos Bandeirantes a partir das 9h. Na reunião, além de tratar de assuntos relacionados a suas pastas, os secretários pretendem ouvir a posição do governador e entender se há espaço para posições divergentes da adotada por Garcia.

    Secretários ouvidos reservadamente pela CNN receberam com surpresa o anúncio de Garcia de apoiar Bolsonaro, principalmente pelo uso do termo “apoio incondicional”. Os chefes das pastas elogiam o trabalho de Garcia à frente do governo, mas discordam da aliança com Bolsonaro, que, para eles, representa o contrário do que eles defendem. A avaliação de parte dos secretários é a de que outros colegas possam desembarcar do governo.

    À CNN, o secretário da Fazenda e Planejamento, Felipe Salto, afirmou que mantém o compromisso firmado com Garcia em abril – quando aceitou o convite para assumir o cargo – de ficar até dezembro à frente da pasta. “Quanto às minhas posições políticas eu já externei no domingo”, disse.

    Salto anunciou em suas redes sociais neste domingo que votaria no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Bolsonaro retirou o Brasil da cena internacional e tentou destruir a democracia e as instituições. Na economia, escolheu aquele que entrará para a história como o pior de todos os ministros”, escreveu.

    O secretário publicou ainda que Garcia impediria em São Paulo o avanço do que Salto classificou como “desastre” do governo federal. Nesta terça, no entanto, o governador anunciou apoio a Bolsonaro. “Para presidente, apesar da minha admiração pela Simone Tebet, com quem convivi em Brasília, a única saída para acabar logo com o mal que aí está é votar em Lula e Alckmin”, escreveu.

    Rodrigo Garcia anunciou, ao lado de Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoio incondicional ao presidente na disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, marcado para dia 30 de outubro. Em São Paulo, Bolsonaro recebeu 12,2 milhões de votos e Lula, quase 10,5 milhões.

    Bolsonaro conseguiu nesta terça-feira o apoio dos governadores dos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que, somados, têm cerca de 64 milhões de eleitores.

    Reeleito no primeiro turno neste domingo, Romeu Zema (NOVO) afirmou que decidiu colocar as divergências de lado e anunciou apoio a Bolsonaro. Zema disse no início da manhã que a escolha levou em conta a necessidade de combater o Partido dos Trabalhadores, que ele considera ser um mal maior. O governador afirmou que a gestão petista foi desastrosa em Minas.

    O apoio de Zema é importante para Bolsonaro, que busca virar o resultado no Estado. O ex-presidente Lula venceu no estado. O petista teve 5,8 milhões de votos, contra 5,2 milhões do presidente.

    Horas depois, também em entrevista a jornalistas em Brasília ao lado de Bolsonaro, o governador reeleito do Rio, Cláudio Castro (PL), disse que “gratidão não prescreve” e prometeu mais empenho para ampliar a votação do presidente no Estado no segundo turno.

    Bolsonaro foi o mais votado no Rio, seu reduto eleitoral. Foram 4,8 milhões de votos para o presidente e 3,8 milhões para o ex-presidente.

    Nas redes sociais, Bolsonaro agradeceu o apoio dos governadores e escreveu que o momento é para união de forças para proteger a liberdade e a dignidade do povo brasileiro e evitar que o PT volte ao poder. O presidente ainda pretende conversar com Ratinho Júnior (PSD), governador reeleito do Paraná, que já o apoia, e com Ronaldo Caiado (União Brasil), governador reeleito de Goiás.

    Procurados, os secretários Maia, Latif e Machado não se manifestaram até a publicação desta reportagem.