Senado debate nesta quarta (6) novas regras que podem dar prazo para impeachment e ampliar alvos

Projeto também propõe mudanças nos ritos processuais para crimes de responsabilidade

Gabriel Ferneda, da CNN, São Paulo
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal realiza, nesta quarta-feira (6), uma audiência pública para discutir mudanças nas regras para abertura de processo de impeachment contra autoridades, como estabelecer prazo e ampliar as possibilidades de crime.

O projeto, do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), propõe mudanças nos ritos processuais para crimes de responsabilidade, além de ampliar o rol de autoridades passíveis de sofrer um impeachment. Para ele, a legislação atual é "lacunosa, incompleta e inadequada".

Para juristas consultados pela CNN, uma atualização da legislação foi motivada por processos políticos recentes, mais precisamente desde 2016, quando a presidente Dilma Rousseff (PT) sofreu impeachment, diz Antonio Carlos de Freitas Junior, advogado e mestre em Direito Constitucional.

Para ele, outro ponto que influenciou a proposta foi a situação do "ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que poderia ter sido enquadrado em crimes de responsabilidade, mas tinha apoio da maioria do Congresso".

 

Principais mudanças

Prazo para aceitar a denúncia

O projeto apresenta algumas novidades em relação ao funcionamento de um pedido de impeachment.

A nova proposta determina um prazo para o presidente da Câmara dos Deputados decidir se aceita ou não a denúncia por crime de responsabilidade encaminhada contra o presidente da República. Hoje, não há prazo para essa decisão.

Caso seja determinado o arquivamento da denúncia, haverá possibilidade de recurso da Mesa Diretora da Câmara, por ao menos um terço dos parlamentares.

Oferecimento da denúncia

Além disso, a Lei amplia e caracteriza quem poderá solicitar uma denúncia por crime de responsabilidade.

Hoje, a regra válida permite que cidadãos poderão oferecer a denúncia, caso preencham requisitos no âmbito federal, estadual, ou distrital, a depender do caso.

O projeto de Pacheco permitirá que partidos políticos com representação no Poder Legislativo, sindicatos ou entidades de classe, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também possam legitimamente oferecer denúncia contra crimes de responsabilidade.

Aumento dos crimes

A nova proposta amplia a quantidade de crimes passíveis para um processo de impeachment para membros do Poder Executivo, incluindo:

  • Deixar de adotar as medidas necessárias para proteger a vida e a saúde da população em situações de calamidade pública;
  • Estimular a prática de tortura ou de tratamento desumano ou degradante;
  • Incitar civis ou militares à prática de violência de qualquer natureza;
  • Crimes contra a Lei Orçamentária.

Além disso, o PL cria novas determinações de crimes de responsabilidade contra outras autoridades que não poderiam anteriormente sofrer impeachment, como vice-presidente, advogado-geral da União e ministros de tribunais superiores.

Inclusão de autoridades

Na lei atual, estão passíveis de sofrer acusações de crimes de responsabilidade, podendo culminar com um afastamento do cargo, o presidente da República, ministros do STF, ministros de Estado, procurador-geral da república e governadores, por exemplo.

A nova lei ampliaria o rol de autoridades que poderiam sofrer esses processos, como os vices de presidente e governadores, por exemplo.

A lista agora abarcaria:

  • Presidente e vice-presidente da República;
  • Ministros de Estado e comandantes das Forças Armadas;
  • Ministros do Supremo Tribunal Federal;
  • Membros dos conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público;
  • Procurador-geral da República;
  • Advogado-geral da União;
  • Ministros de tribunais superiores;
  • Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU);
  • Governadores e vice-governadores;
  • Secretários de estados e do Distrito Federal;
  • Juízes e desembargadores;
  • Juízes e membros de tribunais militares e tribunais regionais Federais, Eleitorais e do Trabalho;
  • Membros dos tribunais de contas de estados, Distrito Federal e municípios;
  • Membros do Ministério Público da União, dos estados e do Distrito Federal.

Ampliação

Para Antonio Carlos de Freitas Junior, há nexo em ampliar as autoridades para deixar de "fulanizar" o processo de impeachment, e que isso pode ajudar na transparência e diminuir "comportamentos inadequados".

"Quando você der mais concretude para os comportamentos e ampliar o rol de autoridades, você vai ter um efeito inibidor. Não é uma garantia, mas podemos ter um clima institucional mais claro, mais transparente, com uma tendência de diminuir comportamentos inadequados e que a sociedade não deseja dessas autoridades públicas".

A advogada especializada em Direito Constitucional Vera Chemim avaliou que o PL pode ampliar consideravelmente as autoridades que podem sofrer processo de impeachment por crime de responsabilidade. No entanto, ela enfatiza que o Judiciário foi mais afetado, uma vez que processos dessa natureza podem atingir até juízes e desembargadores de instâncias inferiores.

No entanto, Vera explica que esse critério não foi seguido para o Poder Executivo, uma vez que a nova proposta não inclui prefeitos e vice-prefeitos.

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