Senado pede a Gilmar suspensão da liminar sobre impeachment

Em documento enviado ao Supremo, advogados da Casa Legislativa pedem que STF aguarde votação do projeto que atualiza Lei do Impeachment

Gabriela Boechat, da CNN Brasil, Brasília
Plenário do STF
Plenário do STF (Supremo Tribunal Federal)  • Gustavo Moreno
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O Senado Federal pediu nesta quarta-feira (10) que o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspenda a liminar que limitou à PGR (Procuradoria-Geral da República) a iniciativa de apresentar pedidos de impeachment contra ministros da Corte, ao menos até que o Congresso conclua a votação do projeto que atualiza a Lei do Impeachment.

No documento enviado ao Supremo, o Senado também pede que o julgamento para referendar a decisão do ministro, marcado para a próxima sexta-feira (12), seja cancelado.

Segundo os advogados da Casa Legislativa, o projeto de lei em tramitação no Senado trata exatamente dos pontos alterados pela liminar de Gilmar e já está em fase final de consolidação. Eles argumentam que a decisão do ministro, ao mudar parâmetros da lei vigente, interferiu na construção e no andamento do novo texto da lei.

No documento, o Senado diz que não há risco institucional em suspender temporariamente a liminar, já que não existe nenhum processo de impeachment em curso contra ministros do STF.

"A suspensão temporária da eficácia da decisão não ocasionará dano efetivo ou risco institucional à ordem constitucional, ao passo que permitirá a conclusão harmônica do processo legislativo em curso", afirmam os advogados do Senado.

Os advogados afirmam ainda que o pedido não busca limitar a autoridade do STF, mas preservar a separação de Poderes e evitar choques normativos. Defendem que o diálogo institucional é essencial e que suspender a decisão até a votação do projeto de lei seria uma medida "adequada e proporcional".

O projeto de lei estava na pauta da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) desta quarta-feira (10). A votação, porém, foi adiada a pedido do relator Weverton Rocha (PDT-MA), que disse precisar de mais tempo para analisar novos pedidos de alteraçaõ no texto e sugeriu uma nova rodada de discussões no plenário da Casa no próximo ano.

De autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado, o texto estava parado desde agosto de 2023 na Casa e voltou a ser discutido após a decisão de Gilmar.

Além de restringir à PGR o poder de pedir o afastamento de ministros, a decisão também estabelece que a aprovação do processo de impeachment pelo Senado precisa dois terços dos votos, e não mais maioria simples, como consta na legislação atual.

Já o projeto que está na CCJ restabeleceria a possibilidade de que entidades como a OAB, sindicatos e até cidadãos, com apoio popular, apresentem pedidos de impeachment. Também fixa prazo máximo de 15 dias para que o Senado analise essas solicitações e mantém a exigência de dois terços dos votos para a abertura de processo.

Embora a decisão de Gilmar já esteja em vigor, os ministros do Supremo ainda deverão referendá-la, ou derrubá-la, se entenderem nesse sentido. A análise, em plenário virtual (sem discussão), tem início na próxima sexta-feira (12).