Sessão de julgamento de Bolsonaro é retomada para conclusão do voto de Fux

Ministro já votou pela absolvição dos réus pelo crime de organização criminosa; crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito será analisado na sequência

Gabriela Boechat, Davi Vittorazzi e Leticia Martins, da CNN, Brasília e São Paulo
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A sessão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus do que seria o "núcleo crucial" de um plano de golpe contra o resultado da eleição de 2022 foi retomada após um intervalo de uma hora. A partir de agora, o ministro Luiz Fux, da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), dá sequência em seu voto.

Até o momento, Fux votou pela absolvição de todos os réus do crime de organização criminosa, abrindo divergência em relação ao relator, ministro Alexandre de Moraes, e  ao ministro Flávio Dino, que votaram, na última terça-feira (9), pela condenação dos réus.

Fux sinalizou que vai analisar cada crime separadamente; portanto, ele ainda deve fazer uma exposição sobre os seguintes crimes denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR):

  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • golpe de Estado;
  • dano qualificado por violência e ameaça grave;
  • e deterioração de patrimônio tombado.

A sessão desta quarta estava prevista para se estender até o meio-dia. Devido ao prolongamento pelo voto de Fux, porém, o julgamento prosseguirá pela tarde, até a conclusão de seu voto.

Acompanhe aqui:

 

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o "núcleo crucial" do plano de golpe denunciado pela PGR seria composto por:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
  • e Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Por quais crimes os réus foram denunciados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.