Silvio Almeida diz que recebe Ministério dos Direitos Humanos com cenário "arrasado"

Advogado nomeado por Lula afirma que vai rever atos do governo Bolsonaro "baseados em ódio e preconceito"

Pedro Teixeira, da CNN, em Brasília
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O advogado Silvio Almeida assumiu, nesta terça-feira (3), o comando do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, com críticas à sua antecessora, a senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia assinado o termo de posse no dia 1º de janeiro, no Palácio do Planalto. Damares não compareceu para transmitir o cargo ao seu sucessor.

No seu discurso, o ministro lembrou que, na transição, participou do grupo técnico de Direitos Humanos e recomendou a revogação de indicações feitas por Jair Bolsonaro para comissão de Anistia e de Mortos desaparecidos.

"Recebo o ministério arrasado, conselhos foram encerrados e o orçamento foi drasticamente reduzido. A gestão anterior tentou extinguir a Comissão de Mortos e Desaparecidos, não conseguiu", afirmou Almeida.

Ele disse ainda que "todo ato ilegal, baseado e praticado no ódio e no preconceito, será revisto". O ministro também defendeu a criação de mecanismos para proteção da vida das pessoas que trabalham com direitos humanos no país.

Ao discursar, Almeida se dirigiu a todas as minorias e fez um contraponto ao antigo governo: “Vocês existem e são valiosos para nós”.

“Quero ser ministro de um país que coloca a vida e a dignidade em primeiro lugar”, enfatizou.

A CNN entrou em contato com a assessoria de Damares, que afirmou que a senadora eleita "não se manifestará".