Só com respeito às instituições superamos desafios, diz ministro da Justiça

Em meio à crise no STF, Wellington César afirma que o "apreço" às instituições é fundamental em um Estado Democrático de Direito

Gabriela Boechat
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O Ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, disse nesta sexta-feira (4) que a sociedade brasileira não pode esquecer que as instituições republicanas são "maiores do que a soma dos seus integrantes". De acordo com ele, o respeito e o apreço às instituições são fundamentais em um Estado Democrático de Direito.

A declaração se dá em meio a uma das maiores crises do STF (Supremo Tribunal Federal), que envolve suspeitas de conluio entre a PGR (Procuradoria-Geral da República), a PF (Polícia Federal) e o ministro Alexandre de Moraes para beneficiar Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Wellington fez a afirmação durante cerimônia no Palácio do Planalto para a sanção de projetos que criam fundos destinados à Justiça Federal, ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), ao Ministério Público da União e à Defensoria Pública da União. Paulo Gonet, da PGR, Andrei Rodrigues, da PF, e Edson Fachin, do STF, estavam presentes.

"Cada instituição republicana é maior do que a soma dos seus integrantes. E nós não podemos, na vida brasileira, esquecer jamais disso. O respeito e o apreço às instituições é algo fundamental em um Estado republicano, em um Estado Democrático de Direito como o Brasil. Somente cultuando e cativando essa convicção é que nós superaremos nossos desafios, sem dúvida nenhuma", disse o ministro da Justiça.

Wellington César não fez menções diretas ao STF ou à PGR. Ele foi aplaudido após a fala.

Entenda a crise

Na terça-feira (1º), o ministro André Mendonça, relator dos inquéritos sobre o Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que traz os registros de contato entre Moraes e Daniel Vorcaro.

As mensagens indicam que o banqueiro pedia a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Como um contra-ataque, na última quinta-feira (3), Moraes pediu a Fachin que abrisse investigação contra Mendonça por suposto abuso de poder e favorecimento de grupos políticos na condução dos casos envolvendo o Banco Master e as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Fachin pediu manifestações de todos os envolvidos, tanto sobre o mérito das acusações quanto sobre os procedimentos para realizá-las. A expectativa, porém, é de que o caso seja analisado e encaminhado apenas após as eleições, como mostrou a CNN.