STM vê Heleno e Paulo Sergio com mais chances de manter patentes
Ministros podem levar em consideração os anos de serviços prestados às Forças

Entre os militares condenados pelo “núcleo 1” da trama golpista, os generais Augusto Heleno e Paulo Sergio Nogueira são os que têm mais chance de terem seus postos e patentes preservados.
Integrantes do STM (Superior Tribunal Militar), assim como aliados dos generais, avaliam que os anos de serviços prestados às Forças Armadas devem ser levados em consideração no julgamento, previsto para ocorrer em 2026.
Nos bastidores da Justiça Militar, a declaração da chamada “indignidade para o oficialato” é considerada certa para o ex-presidente Jair Bolsonaro, capitão do Exército, e para o general Walter Braga Netto.
Pessoas próximas ao almirante Almir Garnier apostam em uma decisão favorável do STM, mas o caso dele é considerado uma incógnita entre ministros da Corte. Pode pesar contra o fato de ele ter sido o único comandante, entre as três Forças, que apoiou o plano de golpe.
O julgamento deve evidenciar uma divisão entre as alas de ministros militares e civis. Os primeiros teriam a visão de que um erro não pode apagar uma vida inteira dedicada às Forças, especialmente se não houve registros anteriores de má conduta.
Já entre os civis, o entendimento é de que a comprovada participação de militares na trama golpista, que incluía um plano para assassinar altas autoridades da República, é grave o suficiente para a perda das patentes.
A leitura é de que, para Heleno e Nogueira, é alta a probabilidade de prevalecer a primeira hipótese. O ex-ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) tem 78 anos e serviu durante 45. O ex-ministro da Defesa dedicou ao Exército 48 dos seus 70 anos.
Embora também tenha servido às Forças Armadas por 45 anos, Braga Netto não teria o mesmo alívio porque sua participação na trama golpista é de maior monta (além de ter no histórico uma tentativa de atrapalhar as investigações).
Enquanto Heleno e Nogueira receberam sentença de 21 e 19 anos de prisão, respectivamente, Braga Netto foi condenado a 26. É a segunda maior pena, atrás apenas de Bolsonaro, que vai cumprir mais de 27.
O julgamento sobre as patentes depende de uma representação formal do MPM (Ministério Público Militar), o que ainda não ocorreu. A CNN apurou que, tão logo o processo chegue ao STM, será tratado com prioridade.


