Suspeita de vazamento fez Mendonça quebrar sigilo de localização de Jaques

Ministro citou risco de vazamento por ter recebido pedido de audiência de um dos investigados antes de receber documentos da PF sobre o Master

Da CNN Brasil
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O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou, em junho, a PF (Polícia Federal) a acessar registros de chamadas e a rastrear, em tempo real, a localização aproximada dos celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA) e de outros cinco investigados na Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de crimes financeiros ligado ao antigo Banco Master.

Foram autorizados o monitoramento de Estações Rádio-Base (ERB) por dez dias e o acesso a registros pretéritos de chamadas, SMS, IMEIs e conexões 3G/4G em relação a Jaques Wagner, Augusto Ferreira Lima, Eduardo Mendonça Sodré Martins, Guilherme Henrique Sodré Martins, David Lopes Monteiro e Andréa Lima Novaes. As operadoras Claro, Vivo e TIM devem repassar os dados diretamente aos policiais federais indicados no processo.

Mendonça delimitou o alcance da decisão, não autorizando escuta, gravação ou acesso ao conteúdo de conversas. O que se libera são metadados – quem falou com quem, quando, por quanto tempo e a partir de qual antena de monitoramento e localização.

O ministro também registrou que a autorização "não implica juízo de culpa, nem afirma participação definitiva dos investigados".

Dos dez alvos pedidos pela PF, o ministro deferiu a medida para seis e negou para quatro. Foram autorizados o monitoramento de Estações Rádio-Base (ERB) por dez dias e o acesso a registros pretéritos de chamadas, SMS, IMEIs e conexões 3G/4G em relação a Jaques Wagner, Augusto Ferreira Lima, Eduardo Mendonça Sodré Martins, Guilherme Henrique Sodré Martins, David Lopes Monteiro e Andréa Lima Novaes. As operadoras Claro, Vivo e TIM devem repassar os dados diretamente aos policiais federais indicados no processo.

O pedido foi negado em relação a Bonnie Toaldo Bonilha, Valério Marega Júnior, Luiz Antonio Lombardi e Patrich Toaldo Bonilha. Segundo o ministro, embora haja elementos de proximidade com os fatos, a PF não demonstrou grau de centralidade suficiente para justificar a medida — no caso de Valério e Lombardi, por se tratar de atos "eminentemente operacionais"; no de Bonnie e Patrich, por haver apenas participação societária e vínculo familiar.

Risco de vazamento

Ao justificar a urgência, Mendonça apontou o uso recorrente de chamadas de voz, áudios e mensagens temporárias pelos investigados, recurso que, segundo a PF, teria sido ativado por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, em conversa com David Lopes Monteiro, citado pela PF como "operador vinculado ao núcleo empresarial e jurídico-financeiro associado ao Banco Master".

O ministro registrou ainda um episódio que, segundo ele, "agudiza os riscos de vazamento". Isso porque no mesmo dia em que a PF apresentou os pedidos de busca e apreensão, além de monitoramento dos celulares, o ministro recebeu um pedido de audiência de um dos alvos.

"Quanto ao ponto, impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso. Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto Ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa (09/06/2026), inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações formuladas", diz a decisão.

A CNN procurou o senador Jaques Wagner e aguarda retorno.