Tarifa Zero em BH pode causar perda de 55 mil empregos, diz Fiemg

Projeto de lei sobre transporte público gratuito na capital será votado nesta semana na Câmara municipal

Daniela Mallmann, da CNN, em Belo Horizonte
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A Câmara Municipal de Belo Horizonte deve votar nesta semana um projeto de lei que propõe tarifa zero no transporte público do município. Se aprovado em dois turnos e sancionado pela prefeitura, a cidade se tornaria a primeira capital sem cobrança direta ao usuário nos ônibus.

Uma análise divulgada pela Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), no entanto, alerta que a sanção desse projeto poderia causar a perda de até 55.340 mil empregos formais.

Segundo a federação, o faturamento das empresas poderá sofrer uma queda de até R$ 3,1 bilhões. Além disso, as simulações apontaram uma redução de até R$ 1,1 bilhão na massa salarial, perda de até R$ 398 milhões na arrecadação de impostos, retração de até 2,1% no PIB municipal e aumento de até 3% na inflação.

No projeto, a principal fonte de recursos para que o transporte público da capital mineira seja gratuito é a taxação de empresas com dez ou mais empregados, no valor sugerido de R$ 168,82 por funcionário - de forma que uma empresa com dez funcionários pagaria uma taxa de R$ 168,82; e uma de 11, arcaria com duas vezes este valor (R$ 337,64), e assim por diante.

"Isso significa que o ônus recairá sobre o setor produtivo, ainda que os empregados não utilizem o transporte público. Na prática, as empresas passariam a financiar um serviço de caráter universal, que não beneficia exclusivamente seus trabalhadores, mas toda a população", diz um trecho do documento.

A Fiemg argumentou ainda que a "instituição da taxa às empresas" é algo "inconstitucional".

"Isso porque o transporte público não é de utilização obrigatória e, portanto, não pode ser financiado compulsoriamente pelas empresas. Conforme a Constituição, uma taxa vinculada a serviço facultativo só pode ser cobrada mediante a efetiva fruição pelo contribuinte.”

O texto tem previsão de ser votado nesta sexta-feira (3). A Casa possui 41 vereadores e, destes, 28 precisam aprovar o projeto em dois turnos de votação. Caso isso ocorra, a proposta segue para sanção - ou veto - pelo prefeito da capital, Álvaro Damião (União).