Eleições 2022

TSE aceita pedido de Bolsonaro e manda remover trecho de propaganda de Lula

Na peça, a campanha petista associava fala pró-armas de Bolsonaro com episódios de violência por armas de fogo

Gabriel Hirabahasi, da CNN, em Brasília
Prédio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em Brasília
Prédio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em Brasília  • Foto: Roberto Jayme/TSE
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A ministra Isabel Gallotti, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da campanha de Jair Bolsonaro (PL) e mandou retirar trecho de uma propaganda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que associa o atual presidente à violência armada.

No trecho questionado pela equipe jurídica da campanha bolsonarista, a peça publicitária associa uma fala do presidente a favor da facilitação do acesso a armas de fogo com episódios de violência causadas por essas armas.

O trecho se refere a um corte da reunião ministerial de Bolsonaro que acabou vindo a público pela acusação feita pelo ex-ministro Sergio Moro de que teria havido uma demonstração de interferência na Polícia Federal por parte de Bolsonaro. "Eu quero todo mundo armado", afirma Bolsonaro na ocasião.

O PT usou esse trecho da fala do presidente e, em seguida, mostrou o que a campanha de Bolsonaro chamou de "uma sucessão de imagens grotescas de bandidos executando pequenos comerciantes; mulheres sendo agredidas e até crianças disparando contra adultos”.

A ministra entendeu que "as imagens veiculadas de pessoas armadas na rua e no interior de imóveis, de criança manuseando arma de fogo, de violência contra mulher e atuação do crime organizado estão descontextualizadas da fala do candidato, destacada no início da peça publicitária, que se limita a dizer que 'Eu quero todo mundo armado', em razão da sua conhecida pauta armamentista".

"Na referida fala não há qualquer referência à colocação de arma de fogo em mãos de criança, violência urbana ou contra a mulher, incentivo ou benevolência com crime organizado", completou a ministra.

Gallotti considerou haver "flagrante descontextualização" entre a fala de Bolsonaro e as imagens expostas pela propaganda do PT.

A ministra mandou retirar do ar apenas o trecho em que, segundo ela, houve essa descontextualização da fala de Bolsonaro, e não toda a propaganda.

A CNN entrou em contato com a equipe jurídica da campanha petista, que informou que não se manifesta sobre decisões contrárias, somente o faz no processo.