“Vamos apurar todos os elos”, diz diretor da PF sobre desvio de emendas

Fala é após operação Transparência, que mirou ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados

Elijonas Maia, da CNN Brasil, Brasília
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues  • 14/11/2024REUTERS/Ton Molina
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O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, comentou nesta segunda-feira (15) a operação Transparência, que cumpriu busca e apreensão na Câmara dos Deputados na última sexta-feira (12) e mirou uma ex-assessora do deputado Arthur Lira quando ele era presidente da casa legislativa.

Segundo Rodrigues, a PF vai apurar “todos os elos”, “todas as etapas” e saber se houve parlamentares envolvidos.

“O inquérito foi determinado pelo ministro Flávio Dino [STF] a partir de depoimentos e denúncias por parlamentares. Eles trouxeram relatos de como funcionaria esse esquema. Então estamos investigando todas as etapas, se houve comprometimento na ponta, se houve intermediário, se houve parlamentar ou não. Investigamos com seriedade e serenidade. Vamos apurar todos os elos”, disse o diretor em café com jornalistas na sede da PF.

A operação realizada em Brasília apura desvios na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo apurou a CNN, Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), foi um dos alvos da ação policial.

Atualmente, Mariângela está lotada como servidora da liderança do PP, mas sempre atuou como braço direito de Lira, principalmente à época em que ele era presidente da Câmara.

A ex-assessora atuava "supostamente sob ordens diretas" de Lira, destacou Dino em sua decisão.

Segundo o magistrado, a funcionária da Câmara dos Deputados "exercia o controle" de desvios de emendas parlamentares, decorrentes do orçamento secreto.

À CNN, a assessoria de Lira disse que não vai se manifestar sobre a operação porque o parlamentar não é investigado.

Pressão política

Andrei Rodrigues também comentou eventuais pressões políticas em casos de repercussão. O diretor disse que conversa sempre com os presidentes da Câmara e do Senado, que tem interlocução e faz visitas ao Congresso com frequência e recebe parlamentares na PF.

“Quem não aguentar a pressão que não venha pro jogo. Tenho convicção e certeza do que estamos fazendo. Com correção e sem caça às bruxas e perseguição política. Sem fulanização e com rigor”, declarou.

Rodrigues também disse que conduz a instituição “respeitando a autonomia da equipe, mas cobrando excelência da prova naquilo que se faz”, o que permite ter interlocução clara.