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    Veja quem são os ex-comandantes das Forças Armadas que se posicionaram contra o golpe

    Depoimentos à Polícia Federal fazem parte da investigação que apura organização de golpe de Estado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder

    Militares em frente ao Ministério da Defesa, em Brasília, em foto de maio de 2017
    Militares em frente ao Ministério da Defesa, em Brasília, em foto de maio de 2017 Mario Tama/Getty Images)

    Jussara SoaresGabriela Pradoda CNN Brasília

    Dos três comandantes das Forças Armadas na gestão passada, dois são testemunhas da Polícia Federal (PF) na investigação que apura a organização de um golpe de Estado para manter o então presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após as eleições de 2022.

    Em seus depoimentos, obtidos antecipadamente pela CNN e posteriormente tornados públicos pelo ministro Alexandre de Moraes, o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, e o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica, relataram terem se posicionado contra à possibilidade de ruptura democrática.

    Às autoridades policiais, o general Freire Gomes confirmou que lhe foi apresentada, em reunião no Palácio do Alvorada, a minuta do golpe encontrada com o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

    O documento apresentava um esboço de decreto de Estado de Sítio e de Operação de Garantia da Lei e da Ordem.

    Segundo relatório da PF, o general informou que tanto ele quanto o tenente-brigadeiro Baptista Junior “afirmaram de forma contundente suas posições contrárias ao conteúdo exposto”.

    Ainda de acordo com o depoimento, Freire Gomes teria declarado que “pelo que se recorda”, o ex-comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos, “teria se colocado à disposição do Presidente da República”.

    A versão vai de encontro com o que disse Baptista Junior à PF. O brigadeiro relatou que o almirante teria afirmado que “colocaria suas tropas à disposição de Jair Bolsonaro”.

    O comandante da Aeronáutica também afirmou que Freire Gomes ameaçou dar voz de prisão ao então presidente quando ele mencionou a possibilidade de dar um golpe de Estado para se manter no poder após ser derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Quem são os generais

    Marco Antônio Freire Gomes

    Comandante do Exército no último ano da gestão de Jair Bolsonaro (PL), Marco Antônio Freire Gomes nasceu em 31 de julho de 1957, na cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo. É filho do coronel de Cavalaria do Exército Francisco Valdir Gomes e de Maria Enilda Freire Gomes.

    Foi estudante dos colégios militares do Rio de Janeiro e de Fortaleza. Ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), no ano de 1977. Se formou em 1980, sendo declarado aspirante a oficial da Cavalaria.

    Freire Gomes realizou cursos de formação, aperfeiçoamento, altos estudos, política, estratégia e alta administração do Exército, além do básico de paraquedista, mestre de salto, salto livre, avançado de salto livre, ações de Comandos, Forças Especiais, logística e mobilização da expressão militar do Poder Nacional e segurança presidencial.

    Nos Estados Unidos passou pelos cursos de gerenciamento de crise e de contraterrorismo e coordenação intransigências. No Egito, realizou o Senior Mission Leaders Course (Curso para Líderes de Missão Sênior, em tradução livre).

    Em sua carreira militar serviu no 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado (RC Mec), em Bela Vista (MS); no 10º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, em Recife; e no 16º RC Mec, em Bayeux (PB).

    Também esteve no 1º Batalhão de Forças Especiais e no Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro, e fez parte do Grupo de Observadores das Nações Unidas na América Central (Onuca). Foi comandante do 1º Batalhão de Ações de Comandos, em Goiânia e retornou à Aman como instrutor.

    Como oficial, foi chefe da Divisão de Operações e da Divisão de Inteligência do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chefe do Serviço Militar Regional do Comando da 11ª Região Militar, em Brasília, adido militar de Defesa e do Exército junto à Embaixada do Brasil na Espanha; chefe da Seção de Doutrina e Assistente da 3ª Subchefia do Estado-Maior do Exército, em Brasília; oficial do Estado-Maior Conjunto do Ministério da Defesa e, novamente, oficial do GSI.

    No generalato, esteve nos cargos de comandante da Brigada de Operações Especiais e do Comando de Operações Especiais, em Goiânia; 1º Subchefe do Comando de Operações Terrestres (Coter), em Brasília; comandante da 10ª Região Militar, em Fortaleza; secretário-executivo do GSI; comandante militar do Nordeste, em Recife; e comandante de Operações Terrestres, em Brasília.

    Freire Gomes chegou ao comando do Exército em março de 2022, substituindo Paulo Sérgio Nogueira, que assumiu a pasta da Defesa após Walter Braga Netto deixar o ministério para compor a chapa do então presidente Jair Bolsonaro nas eleições daquele ano.

    Carlos de Almeida Baptista Junior

    Natural de Fortaleza, no Ceará, Carlos de Almeida Baptista Junior ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB) em 03 de março de 1975 e foi promovido ao posto de Tenente-Brigadeiro em 31 de março 2018.

    O ex-comandante da Aeronáutica é filho do tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, que também foi comandante da hierarquia no período de 1999 a 2003.

    O militar iniciou sua carreira na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) e foi primeiro comandante do 2º/6º Grupo de Aviação – Esquadrão Guardião; comandante da Base Aérea de Fortaleza; adjunto do Adido de Defesa e Aeronáutica nos Estados Unidos; presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate; comandante do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro; diretor da Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico; vice-chefe do Estado-Maior da Aeronáutica; chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa; e comandante do Comando-Geral de Apoio.

    Segundo informações da FAB, Baptista Junior possui 4 mil horas de voo, sendo 2.200 horas em aeronaves de caça.

    *Publicado por Renata Souza. Com informações de Douglas Porto.