Vice-líder do governo diz à CNN que CPI da Covid não pode virar ‘caça às bruxas’

Para Jorginho Mello (PL-SC), investigação não pode ser nem governista nem de oposição

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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Integrante da ala governista da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o senador Jorginho Mello (PL-SC) afirmou que a investigação não pode se converter em uma “caça às bruxas” nem contra o governo federal nem contra estados e municípios. Em entrevista exclusiva à CNN na tarde desta sexta-feira (23), Mello disse que o inquérito tem de ser levado com “tranquilidade”.

“Temos que chamar pessoas, fazer levantamentos, seguir o caminho do dinheiro, das ações, o que foi feito, o que não foi feito, isso é o que cada um da CPI tem que fazer. Não vou permitir [que se faça], não vou fazer palanque político, para fazer média, para aparecer, para jogar para a galera, como muita gente gostaria que eu fizesse”, disse Mello, que é vice-líder do governo no Senado Federal.

A CPI da Covid-19 deverá ser iniciada oficialmente na terça-feira (27). Parlamentares da oposição e também alguns dos considerados independentes têm costurado um acordo para que a presidência da CPI fique com o senador Omar Aziz (PSD-AM). O combinado também inclui o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na vice-presidência e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) na relatoria do inquérito.

Questionado sobre o acordo do grupo de senadores, Mello se disse “chateado” e julgou ser “muito errado” que se faça essa articulação antes que a CPI seja instalada. “Já decidiram, então já está pronto o relatório? Se já está pronta a eleição da diretoria, enfim, é só o que falta”, ironizou.

Jorginho Mello defendeu que a CPI da Covid-19 não seja uma comissão “de cartas marcadas” ou que se transforme em uma “inquisição”. O senador repetiu o argumento que vem sendo usado por outros parlamentares governistas de que este não seria o momento apropriado para a instalação da investigação por conta da grave situação sanitária do país.

O senador também defendeu que a CPI seja realizada de forma totalmente presencial. Segundo Mello, o Senado tem estrutura suficiente para levar adiante a CPI com todos os membros presentes fisicamente. 

Jorginho Mello
Jorginho Mello, senador pelo PL de Santa Catarina
Foto: Agência Senado

CPI da Covid-19

Inicialmente, a proposta da CPI da Covid-19 feita pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) era para investigar somente o enfrentamento da pandemia por parte do governo federal. Embora a proposta tenha conseguido reunir número superior às 27 assinaturas necessárias para ser levada adiante, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), se recusou a fazê-lo. 

Diante da recusa, os senadores Jorge Kajuru (Podemos-GO) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão monocrática posteriormente confirmada pelo plenário do Supremo, o ministro Luís Roberto Barroso determinou a instalação da CPI. 

Senadores mais alinhados com o governo Bolsonaro se movimentaram, então, para ampliar o escopo da investigação, de forma que o governo federal não fosse o único foco da comissão. Assim, a administração por estados e municípios do dinheiro destinado pela União ao enfrentamento da pandemia também acabou incorporada à investigação. 

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