Vice-prefeito de SP critica aliados e cita "descaso" com Bolsonaro

De acordo com Mello Araújo, o entorno do ex-presidente começa a se movimentar e organizar uma "dança das cadeiras" para a eleição de 2026

Manoela Carlucci, da CNN, São Paulo
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O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL), indicado por Jair Bolsonaro (PL), criticou no último fim de semana movimentações que, de acordo com ele, vêm sendo feitas pelo entorno do ex-presidente.

Mello Araújo citou o que chamou de "dança das cadeiras" que começa a ser articulada para a disputa de 2026, pressupondo que Bolsonaro continue inelegível até a eleição e diz que tal iniciativa representa um "descaso" com o ex-mandatário.

"Está errado, é um descaso o que estão fazendo, nosso presidente tem que estar no jogo em 2026. Se o nosso país é um país democrático, ele tem que estar na eleição em 2026 e o povo tem que cobrar isso aí. É um absurdo o que nós estamos vendo, o presidente elegeu um monte de gente e essas pessoas estão virando as costas", disse.

De acordo com o vice-prefeito, muitas "reuniões" e "jantares" já estão sendo realizadas para tratar sobre o tema.

"Encontros acontecendo, reuniões, jantares, viagem agora em Portugal mesmo, vários políticos do Brasil inteiro lá e as tramas, as artimanhas, as coisas estão acontecendo", continuou.

Para Mello Araújo, o cenário que vai se criando, caso não haja uma mudança de postura, é a prisão do ex-presidente, momento em que, de acordo com ele, os aliados vão prestar homenagens, o que — para ele — seria uma "hipocrisia".

"Depois vão sair aquelas postagens... porque se nada fizermos, se nada fizermos, daqui a pouco o presidente vai caminhar para uma prisão e aí vem, cada um vai pegar sua foto mais bonita, vai postar nas redes sociais falando: 'Presidente, que injustiça, estou junto com você'. Mas é agora que a gente tem que fazer", afirmou.

"Quanta hipocrisia! Quanta hipocrisia! Eu quero ver agora, o povo tem que cobrar, porque o povo quer o presidente no jogo. As pesquisas demonstram isso, cobrem dos seus deputados, dos seus políticos, prefeitos, de todos, vereadores, todo mundo que se elegeu nas costas do presidente. Vamos cobrar e vamos mudar esse jogo, a gente tem que se movimentar", finalizou.

Bolsonaro está inelegível até 2030 após sofrer condenações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Hoje, ele é réu no STF (Supremo Tribunal Federal) na ação que apura um plano de golpe de Estado após as eleições de 2022.