Vice-procurador-geral eleitoral pede a Aras para deixar o cargo

No ofício enviado ao PGR, Renato Brill de Góes afirmou que solicitou o desligamento por motivos pessoais

O procurador-geral da República, Augusto Aras
O procurador-geral da República, Augusto Aras Foto: Marcos Corrêa/PR (27.ago.2020)

Thais Arbexda CNN

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Em comunicado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, o vice-procurador-geral eleitoral, Renato Brill de Góes, pediu para deixar o cargo. O documento foi divulgado nesta quinta-feira (24), com data da última terça (22).

No ofício enviado a Aras, Brill de Góes afirmou que solicitou o desligamento por motivos pessoais. A CNN apurou que sua saída estava acertada com Aras desde o dia 10 e será oficializada em julho.

O vice-procurador-geral foi indicado por Aras para o cargo em março de 2020. No comunicado, Brill de Góes afirmou que “o último ano foi de especial complexidade”.

 

“Assumir a Procuradoria-Geral Eleitoral às vésperas da instituição da quarentena em razão da pandemia da Covid-19 apenas potencializou o desafio que se avizinhava com o início do período eleitoral”, escreveu. “Porém, como afirmado por Franklin Roosevelt em seu discurso de posse ao ser eleito pela primeira vez para o cargo de Presidente dos EUA, ‘a única coisa que devemos temer é o próprio medo’”, continuou ele.

No mês de julho, durante as férias coletivas, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, ficará como PGR e como procurador-geral Eleitoral.

“Foram meses de incessante trabalho e dedicação, necessários para fazerem prevalecer os princípios republicano e democrático, garantidos por meio da periodicidade do voto”, escreveu Brill de Góes no comunicado a Aras.

Embora o próprio procurador diga no ofício que sua saída já havia sido acertada, ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ouvidos pela CNN disseram, em caráter reservado, estranhar que a dispensa do cargo tenha sido oficializada dias depois de Brill de Goés apresentar uma ação ao tribunal na qual pede aplicação de multa ao presidente Jair Bolsonaro e outras autoridades por propaganda eleitoral antecipada e conduta vedada a agente público.

Em cerimônia de entrega de títulos de propriedade rural, em Marabá (PA), na sexta-feira, 18, o presidente mostrou uma camiseta entregue pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, com a mensagem “É melhor Jair se acostumando. Bolsonaro 2022”. O ato foi transmitido ao vivo pela TV Brasil.

Na ação ao TSE, Brill de Góes afirmou que, “ao fazer expressa menção ao pleito eleitoral de 2022 e à pretensa candidatura, além do contexto dos discursos proferidos no evento, houve claro ato consciente de antecipação de campanha, o que é vedado pela legislação eleitoral, pois causa desequilíbrio na disputa, além de ferir a igualdade de oportunidade dos candidatos”.

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