Vieira defende separar questões econômicas de políticas em relação com EUA
Ministro afirmou que sinalização de conversa entre Lula e Donald Trump é "positiva", mas reforçou defesa da soberania nacional
O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (1º) ser necessário separar questões econômicas e políticas na relação entre Brasil e Estados Unidos. Na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, ele declarou ser algo "positivo" a interação entre o presidente Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a Assembleia Geral da ONU, na última semana.
"Na relação com os Estados Unidos, seguiremos insistindo na necessidade de separarmos questões comerciais das questões políticas. Esse é o único caminho possível para que a situação presente possa encontrar solução satisfatória", disse.
Para Vieira, as críticas e a adoção de uma “postura agressiva” contra o judiciário brasileiro não devem ser tratadas na relação entre os dois países. Ele reiterou que o Brasil seguirá “como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”.
“Razões expressamente políticas relacionadas a processo judicial no Supremo Tribunal Federal não encontram cabida em uma negociação entre Estados soberanos e independentes”, declarou.
Na reunião, o chanceler criticou as sobretaxações norte-americanas e reiterou que os Estados Unidos registram superávit nas relações comerciais com o Brasil.
Ele afirmou que as “referências elogiosas” de Trump a Lula foram bem recebidas e indicam “uma nova disposição norte-americana” para o diálogo.
De acordo com Vieira, não há previsão de uma viagem específica no curto prazo para a conversa entre Lula e Trump. O ministro informou que o momento para um possível encontro ou telefonema ainda é analisado pela diplomacia brasileira.
O ministro foi convocado – quando a presença é obrigatória – para comparecer na comissão. Ele foi chamado ao colegiado para falar sobre uma série de assuntos. Em sua fala, Vieira também destacou que órgãos internacionais estão atualmente enfraquecidos e criticou a prevalência de negociações bilaterais.


