Vieira diz que argumentos dos EUA em pedido de tarifaço “não são legítimos”

Mais cedo, ministro encontrou chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca)

Helena Prestes, da CNN Brasil*, Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4) que os argumentos dos Estados Unidos para a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros "não são legítimos".

"Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há porquê sermos objeto de tarifas. Todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos", disse o chanceler, que está em Paris para reuniões ministeriais da OCDE (Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

Segundo Vieira, o interesse do governo brasileiro é de seguir em diálogo com os Estados Unidos, visando interromper a aplicação de novas taxas, sobretudo após os relatórios das investigações sobre a Seção 301.

Mais cedo, o ministro encontrou com o chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), Jamieson Greer, e ouviu do americano que há disposição em "continuar dialogando" com o Brasil em torno da possível aplicação de tarifas.

Na última segunda-feira (1), o USTR propôs a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como "sujeitas às tarifas de segurança nacional".

O órgão afirma ter determinado que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial nos termos da chamada Seção 301 da Lei - ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas. Nesse grupo, carne bovina, café certas frutas e nozes, especiarias, petróleo e minérios metálicos estariam isentos de tarifas punitivas.

O chanceler afirma que durante as investigações da Seção 301, o governo brasileiro respondeu à uma série de perguntas e comprovou que "todos os argumentos apresentados" não são legitimos. Segundo ele, foi mostrado que o Brasil não possui um superávit com os Estados Unidos.

Vieira disse, ainda, que o Brasil é quem devia estar se protegendo dos EUA. Para o ministro, "talvez esteja faltando compreensão" da temática, ele espera que uma solução seja encontrada e levada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"O maior deles é este: nós provamos que não temos um superávit com os Estados Unidos, muito pelo contrário. Não há por que medidas de proteção do comércio americano. Nós é que temos um grande déficit. Nós é que, a princípio, deveríamos estar nos protegendo, mas estamos conversando", declarou.