"Vitória da vida" x "criança não é mãe": deputados repercutem PDL do aborto

Câmara aprovou projeto que pode dificultar o acesso de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual ao aborto legal

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

Um projeto de decreto legislativo que pode dificultar o acesso de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual ao aborto legal, aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (5), virou tema de debate entre parlamentares nas redes sociais.

Deputados conservadores usaram a expressão "vitória da vida" para comemorar a aprovação. Já os progressistas aderiram o lema "criança não é mãe" e criticaram o avanço da pauta para análise do Senado.

medida susta uma resolução do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, aprovada em dezembro do ano passado, que estabelece diretrizes para atendimento de crianças e adolescentes em casos de aborto legal.

Na prática, a resolução possibilita o aborto em crianças e adolescentes grávidas que relatarem gestação “resultante de abuso sexual ou em caso de risco de vida da gestante ou anencefalia do feto”.

No projeto discutido na Câmara, de autoria da deputada Chris Tonietto (PL-RJ) e com relatoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), foi argumentado que a norma extrapola a atribuição do conselho ao dispensar a apresentação de boletim de ocorrência policial, por exemplo.

Veja o que disseram os parlamentares:

Sóstenes Cavalcante

Para o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, a Câmara "mostrou que o Brasil ainda tem limite moral" ao aprovar o projeto.

Erika Kokay

Já a deputada Erika Kokay (DF), vice-líder da Federação Brasil da Esperança (formada por PT, PCdoB e PV), defendeu a resolução do Conanda. Segundo ela, a "norma garante escuta e proteção".

Bia Kicis

Bia Kicis (PL-DF), vice-líder da Minoria na Casa, destacou que a resolução "facilitava" o aborto "sem limite de idade gestacional".

Sâmia Bomfim

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) classificou como um "absurdo" a aprovação do projeto. "Com essa revogação, meninas estarão mais expostas à negligência", afirmou.

Carlos Jordy

Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que a aprovação representou uma "derrota" para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando que partidos de esquerda foram contra o texto.

Talíria Petrone

Também fazendo o uso do lema "criança não é mãe", a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) ressaltou que "estuprador não é pai". A parlamentar também classificou como um "absurdo" a decisão da Casa.

Luiz Ovando

O deputado Luiz Ovando (PP-MS) disse que a resolução "abria caminho para o aborto através da ideologia da morte travestida de direito".

Tarcísio Motta

Já Tarcísio Motta (PSOL-RJ) fez uso do lema "criança não é mãe" para comentar a aprovação do tema.