Vorcaro disse para não pagar Barci por Pix: “Não é bom”
Banqueiro possuía segundo contrato com esposa de Moraes no valor de R$ 50 milhões

Conversas obtidas pela PF (Polícia Federal) revelam que o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, evitou que pagamentos ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes -- esposa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes -- fossem realizados via Pix.
Em outubro do ano passado, após receber uma mensagem de seu administrador financeiro, Alberto Felix, informando que a transferência para o escritório havia sido concluída, Vorcaro questionou: "Mas não faz Barci Pix, né?".
Em resposta, o operador financeiro confirmou que a transação havia sido feita via Pix, com os mesmos dados financeiros utilizados via TED -- modalidade de transferência utilizada antes da popularização do Pix.
O operador confirmou a transação utilizando os mesmos dados de uma TED, ao que o ex-banqueiro afirmou que "não é bom" realizar pagamentos ao escritório por esse meio.
O relatório da PF não informa o valor repassado na transação ou o motivo pelo qual o banqueiro preferia utilizar outras modalidades de pagamento com o escritório de Viviane Barci.
No inquérito, a Polícia Federal mostra mensagens do banqueiro afirmando que o contrato com o escritório de Viviane Barci era o "mais importante" que o empresário tinha.
Em uma das conversas, Vorcaro afirma que o pagamento ao escritório não poderia “atrasar um dia”.
"Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso", escreveu o banqueiro para o sócio Angelo Silva. Em seguida, ele diz: "É o contrato mais importante que temos. Te pedi para não falhar. Surreal. Vamos ter problemas".
O contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci totalizava o valor de R$ 131 milhões. Conforme mostrou a CNN, o ministro Alexandre de Moraes chegou a editar o documento antes da assinatura.
De acordo com as atualizações reveladas pela PF, nesta terça-feira (1º), a esposa de Moraes assinou um segundo contrato de prestação de serviços jurídicos no valor de até R$ 50 milhões com a Viking Participações, empresa representada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Desse valor, R$ 40 milhões seriam pagos com participações em duas empresas ligadas a aeronaves.
Uma dessas empresas era dona de um avião Legacy 650. A outra estava em processo de compra de um helicóptero Airbus EC 155 B1.
O acordo previa ainda que o escritório poderia usar as aeronaves desde a assinatura, respeitadas as regras de compartilhamento entre os sócios. Os R$ 10 milhões restantes seriam quitados por meio do reembolso de despesas relacionadas ao uso e à aquisição das aeronaves.


