Vorcaro diz à PF que nem nos piores pesadelos imaginava ser preso

Dono do Banco Master foi detido pela PF em novembro do ano passado sob risco de fuga, mas solto dez dias depois por determinação do TRF

Caio Junqueira, Jussara Soares e Manoela Carlucci, da CNN Brasil
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Em depoimento à PF (Polícia Federal), o banqueiro Daniel Vorcaro, disse que "nem em seus piores pesadelos" teria imaginado a possibilidade de sua prisão, em novembro do ano passado.

A declaração ocorreu em dezembro, quando Vorcaro prestou esclarecimentos à PF no caso que investiga fraudes ligadas ao Banco Master. A CNN teve acesso à oitiva.

Ao ser questionado pela delegada sobre "algum pressentimento" sobre a existência de um mandado de prisão Vorcaro respondeu: "De maneira nenhuma. Nem nos meus piores pesadelos eu achei que poderia".

O banqueiro negou ainda a hipótese de "fuga", por ter sido detido no aeroporto, tentando viajar para Dubai onde, de acordo com ele, realizaria reuniões para fechar negócios.

"A questão de fuga é, desculpe, uma questão completamente fora de contexto. Uma fuga de alguém que avisa a Polícia Federal, acho que na quinta-feira. Eu já tinha viajado uma semana antes para tratar com os mesmos investidores, amplamente divulgado", disse.

"Já existia um planejamento do que aconteceu ali em Dubai que já era anterior, que era justamente o que estava se anunciando ali, em definitivo no dia 17, porque na semana anterior eu já tinha anunciado ao Banco Central que a gente faria na semana seguinte", concluiu.

Relembre

Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele foi detido durante a noite, por volta de 22h no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando viajaria para Dubai.

A Operação deflagrada pela PF tinha por objetivo combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.

De acordo com apuração da CNN, A Polícia Federal monitorou Vorcaro e antecipou a prisão para evitar uma fuga.

O banqueiro foi solto dez dias depois, na manhã do dia 29, por determinação do TRF (Tribunal Regional Federal). Na decisão, a desembargadora Solange Salgado determinou que ele fosse colocado em liberdade com monitoramento eletrônico.