Voto impresso cria mecanismo de auditoria que traz insegurança, diz Barroso

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral afirmou que há um consenso de que a mudança para o voto impresso é para pior: "sistema atual é consagrado"

Gabriela Coelho, da CNN, em Brasília e Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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Em evento que marcou a inauguração da nova sede do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, avaliou que o retorno do voto impresso cria um mecanismo de auditoria que vai trazer insegurança e riscos.

Segundo o magistrado, o voto impresso não é mecanismo de auditoria do voto eletrônico, e é menos seguro porque precisa ser transportado.

“Estamos falando de 150 milhões de votos. Há regiões com milícias, roubo de cargos. Transportar votos, armazenar votos. Isso é um filme de terror: Porque, além disso tudo, tem que recontar os votos”, disse.

“Não é só uma questão de custo, mas o risco do sistema, sem mencionar o risco da quebra do sigilo. Em um país que se compra e vende voto, é preciso conferir se o voto comprado foi entregue. Temos problemas de fraude, sigilo, custo, transporte. É um consenso que essa mudança é para pior. O sistema atual é consagrado.”

Barroso ressaltou que viveu uma época em que os processos eleitorais no país eram caracterizados por fraudes. De acordo come ele, as fraudes se materializavam em urnas que desapareciam e em urnas grávidas. Além disso, havia relatos de que votos em branco viravam votos em candidatos e toda eleição no Brasil tinha a suspeição na fraude.

Presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso
Presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso
Foto: Divulgação/TRE-AC

“Tinha gente que comia voto”, lembrou. “A partir de 1996 conseguimos acabar com esse histórico de fraudes. Dede 1996, jamais se documentou um episódio de fraude. Em 2014, o candidato derrotado pediu auditoria e o próprio partido reconheceu que não houve fraude.”

O ministro afirmou ainda que uma fraude exigiria “que muita gente no TSE se comprometesse” e avaliou que seria “uma conspiração”. Ainda segundo ele, a Justiça Eleitoral “vai apurar imediatamente” caso se constate qualquer indício de fraude.

“Ninguém tem paixão por urnas, mas, sim, por eleições livres e limpas”, destacou. “Não há precedente e não há razão para se mexer no time que está ganhando”.

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