Waack: Bolsonaro começa semana pressionado por CPI e indefinição do orçamento
É preciso ficar de olho nos próximos passos do presidente, já que 'toda vez que está, ele acuado sai esbravejando e arruma uma crise'
No quadro CNN Poder desta segunda-feira (19), na CNN Rádio, William Waack projeta a semana do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que começa pressionado pela definição em torno do orçamento da União e pela CPI da Covid.
“A semana começa com uma espécie de ultimato do presidente Bolsonaro a seus ministros mais próximos. Esta segunda-feira (19) é o prazo que ele mencionou para que se encontre um compromisso em torno do orçamento”, afirmou.
Waack afirmou, no entanto, que esse compromisso equivale a uma quadratura do círculo – referência ao problema geométrico considerado muito difícil pelos gregos na antiguidade –, já que a ideia é gastar o que não se tem, mas respeitando a letra da lei.
“Até aqui, não foi possível e o presidente tem dois temores: um, se vai adiante com esse orçamento, alguém lá na frente pode dizer que ele cometeu crime de responsabilidade – foi isso que derrubou a Dilma [Rousseff]”, explicou
“Dois, se ele não vai adiante, tem dois problemas sérios: o rompimento da relação de dependência dele do centrão e não tem o que precisa, um considerável aumento da possibilidade de gastar em obras e, portanto, conquistar popularidade para se reeleger.”
Ele afirmou que a questão não tem uma solução fácil e que os ministros ainda não chegaram a uma conclusão porque o problema não é técnico, é político.
“E aí, outra dor de cabeça começa nesta semana para o presidente: a CPI da Covid. O relator Renan Calheiros (MDB-AL) é uma das raposas mais felpudas, velhas e sábias da política em Brasília e já disse por onde vai, qual é o calo do ‘pé do governo’ que vai começar a pisando: um relatório do TCU que trata de números e aponta omissões, falhas erros do governo no combate à pandemia”, disse Waack.
“Começa difícil essa semana para Bolsonaro. Vamos ver como ele mantém o jeito dele – toda vez que está acuado ele sai esbravejando e arruma uma crise.”