William Waack

Waack: Calor da crise política aumenta e não tem bombeiro

A obstrução atrapalha bastante o governo, que tem pautas importantes penduradas no Congresso, mas até aqui sem reunir forças suficientes para conseguir anistia e impeachment de ministro do Supremo

William Waack
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Neste momento, o conjunto de pressões que move a grande crise brasileira está aumentando e não diminuindo. O governo americano mantém a data de 6 de agosto para início do tarifaço.

Para obter não só concessões no comércio mas também resultados políticos. No comércio já funcionou, mas no lado político, não, que é livrar Jair Bolsonaro (PL) do processo no Supremo.

A oposição aqui dentro também aumentou a pressão, obstruindo trabalhos no congresso e propondo um pacote de paz que é, na prática, uma declaração de guerra ao supremo.

Anistia a todos os perseguidos e impeachment do juiz Alexandre de Moraes.

A obstrução atrapalha bastante o governo, que tem pautas importantes penduradas no Congresso, mas até aqui sem reunir forças suficientes para conseguir anistia e impeachment de ministro do Supremo.

Moraes arrastou consigo o Supremo na decisão de impor prisão domiciliar a Bolsonaro e ficou no centro das críticas que vêm também de setores distantes do bolsonarismo.

E se espalham pelos bastidores do próprio Supremo, onde cresce preocupação com a perda de legitimidade e com decisões, por parte de Moraes, que são vistas como grave erro político.

A crise doméstica brasileira é também uma crise internacional, pois um grupo político interno foi buscar numa potência estrangeira ajuda concreta para seus objetivos -- os do grupo e os da potência de fora.

Não há, por enquanto, lideranças políticas em parte alguma em condições -- estejam interessadas ou não, o que inclui o governo brasileiro -- em achar uma saída dessa crise.