Waack: Interesse eleitoral trava debate sério sobre trabalho

O Brasil é um pais de alta informalidade, produtividade baixa, grave judicialização das relações de trabalho e legislação do setor que, em parte, briga com avanços da tecnologia

William Waack
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Os motivos que faz com que se discuta redução de jornada e alteração em escala de trabalho são meritórios.

Trata-se, não há dúvidas, de assunto de enorme consequências profundas e a longo prazo. Introduzida por considerações políticas das mais mesquinhas, que é unica e exclusivamente, a título de avanços sociais, conquistar votos de qualquer maneira antes das próximas eleições.

O Brasil é um país de alta informalidade, produtividade baixa, grave judicialização das relações de trabalho e legislação do setor que, em parte, briga com avanços da tecnologia.

É um contexto particularmente desafiador quando se pensa que a economia brasileira cresce muito aquém do que precisaria para tirar o país da situação da qual não sai há decádas, que é a da renda média.

Do jeito em que está sendo levada adiante, essa importante questão da jornada e da escala de trabalho só torna esse ambiente ainda mais complicado e difícil. De tal tamanho foi a pressa, a ponto já de se prever uma avalanche de contestações judiciais que vão chegar até o STF (Supremo Tribunal Federal).

A propaganda de um governo desesperado em encontrar alguma marca se empenhou em interditar qualquer debate sério sobre um tema tão complexo. Fiel ao marketing do "nós contra eles", transformou empregadores em senhores do engenho.

E os empregados em seres hiposuficientes – ou seja, desinformados incapazes de cuidar de seus interesses – que só o Estado, então, consegue proteger.

Do ponto de vista trabalhista, é um enorme retrocesso – pois diminui a capacidade da negociação coletiva.

Do ponto de vista político, é um retrato da incapacidade do sistema de pensar os problemas do país de forma abrangente.