Waack: Mal-estar na política, que já é enorme, passou para mal-estar na economia

Se se há algo que afugenta agentes econômicos, aqueles que tomam as decisões de investimentos, é não saber o que vai acontecer – e é como o Brasil está agora

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No quadro CNN Poder desta quinta-feira (9), na CNN Rádio, William Waack analisa as reações do Judiciário e do Legislativo após os discursos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas manifestações do 7 de Setembro.

“O [Supremo Tribunal Federal] STF e o [Procurador-Geral da República] PGR são dois atores importantíssimos na crise institucional brasileira e disseram basicamente o seguinte: se Bolsonaro cumprir as ameaças que fez, cometerá crime de responsabilidade”, disse Waack.

Ele destacou, porém, que se trata de um crime político e, como tal, deve ser apreciado no âmbito do Legislativo.

“Como o legislativo reagiu a isso? Os dois chefes das Casas Legislativas reagiram dizendo que não falam em impeachment. Em outras palavras, eles não veem clima político para derrubar o presidente através do impeachment. Como ficamos, então?”, questionou.

“Ficamos numa situação de alta volatilidade política rapidamente agravada pela situação da economia. Os investidores deram um recado claríssimo a respeito do que eles pensam da situação política brasileira no momento: um horror. Porque não há perspectiva, não há saída”, explicou.

Para Waack, se se há algo que afugenta agentes econômicos, aqueles que tomam decisões de investimentos, é não saber o que vai acontecer – e é como o Brasil está agora.

“Em outras palavras: o mal-estar na política, que já é enorme, passou para um mal-estar na economia  – e este também está ficando enorme”, disse.

“Todos somos perdedores nisso. Todos somos reféns dos cálculos políticos dos caciques dos centrão. Mas há um grande perdedor: o próprio presidente Bolsonaro.”

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