Waack: Não adianta ter punhos de aço se o queixo é de vidro
A julgar pelo debate de domingo (16) e pelas inserções de propaganda política, Lula e Bolsonaro julgam ter encontrado algo para encurralar o oponente
Não adianta ter pontos fortes de ataque se os pontos vulneráveis forem mais fortes ainda.
A julgar pelo debate de domingo (16) e pelas inserções de propaganda política, Lula e Bolsonaro julgam ter encontrado algo para encurralar o oponente.
No caso de Bolsonaro, Lula explora mais do que a gestão do governo federal durante a recente pandemia. O queixo de vidro é a falta de empatia, um fator subjetivo de alto conteúdo emocional. Portanto, capaz de impedir o esforço de Bolsonaro em reduzir sua taxa de rejeição, que permanece sendo a maior entre os dois.
No caso de Lula, é claramente a corrupção. Para um enorme contingente de eleitores – não necessariamente bolsonaristas – a Lava Jato não foi um erro. Mas, sim, uma grande expressão de indignação. Que aumenta e reforça o antipetismo quando Lula e dirigentes do partido preferem que se esqueça a roubalheira que aconteceu.
São duas poderosas memórias coletivas, ambas recentes, que estão no centro do combate político no momento.
A memória do sofrimento causado por quase 700 mil mortos na pandemia poderia ter sido muito menor. E a memória da corrupção sistêmica para enriquecer empresas e manter um esquema político no poder.



