Waack: Polarização apenas agravou fenômeno político já existente
Aquilo que o TSE argumenta ser luta contra fake news é percebido por grande parte do eleitorado como imposição de censura
Conforme era esperado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (25) manter a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela qual esse tribunal aumentou o poder de polícia nas eleições.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, acha que esse poder de polícia esbarra nos limites dos poderes da Justiça Eleitoral. Mas não é assim que o STF entendeu.
E como é que o público está entendendo?
É surpreendente o número captado em pesquisa séria dos que percebem no país uma ditadura do Judiciário. Essa ditadura, digamos assim, é parte central da forma como as correntes bolsonaristas descrevem o processo eleitoral. Para elas, os tribunais superiores favorecem a candidatura do adversário.
De novo, é consideravelmente nutrido o contingente de pessoas que adotaram essa visão da eleição, e não somente entre os que apoiam Jair Bolsonaro (PL).
O quadro é preocupante pois aquilo que o TSE argumenta ser luta contra fake news é percebido por grande parte do eleitorado como imposição de censura.
Do ponto de vista das instituições da democracia brasileira, esse quadro é muito preocupante. Significa que a polarização apenas agravou um fenômeno político já existente, que é o da profunda desconfiança de milhões de pessoas no funcionamento de instituições como os tribunais superiores.



