Waack: Polarização apenas agravou fenômeno político já existente

Aquilo que o TSE argumenta ser luta contra fake news é percebido por grande parte do eleitorado como imposição de censura

William Waack
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Conforme era esperado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (25) manter a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela qual esse tribunal aumentou o poder de polícia nas eleições. 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, acha que esse poder de polícia esbarra nos limites dos poderes da Justiça Eleitoral. Mas não é assim que o STF entendeu. 

E como é que o público está entendendo?  

É surpreendente o número captado em pesquisa séria dos que percebem no país uma ditadura do Judiciário. Essa ditadura, digamos assim, é parte central da forma como as correntes bolsonaristas descrevem o processo eleitoral. Para elas, os tribunais superiores favorecem a candidatura do adversário.  

De novo, é consideravelmente nutrido o contingente de pessoas que adotaram essa visão da eleição, e não somente entre os que apoiam Jair Bolsonaro (PL). 

O quadro é preocupante pois aquilo que o TSE argumenta ser luta contra fake news é percebido por grande parte do eleitorado como imposição de censura.  

Do ponto de vista das instituições da democracia brasileira, esse quadro é muito preocupante. Significa que a polarização apenas agravou um fenômeno político já existente, que é o da profunda desconfiança de milhões de pessoas no funcionamento de instituições como os tribunais superiores.