Waack: Senado é palco de principal debate econômico e político
As decisões do Banco Central devem ser técnicas ou são, por natureza, políticas?
O Senado serviu de palco para a principal discussão da economia brasileira e, também, o principal debate político.
Primeiro, o dilema econômico: o novo marco fiscal é suficiente para o Brasil começar a baixar a taxa de juros? Em seguida, o lado político: as decisões do Banco Central devem ser técnicas ou são, por natureza, políticas?
As opiniões dos principais atores do debate são conhecidas. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a dívida pública do Brasil é superior à de países emergentes e é preciso ter credibilidade para cortar juros.
Candidata à Presidência em 2022 com uma plataforma liberal, Simone Tebet, agora ministra do Planejamento, rebateu Campos Neto. Para ela, as decisões do BC interferem na política.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a se comprometer com o ajuste fiscal. Disse que, no fundo, não dá para separar contas públicas e taxas de juros.
A conclusão do debate, se é que existiu uma só, ficou nas palavras de um economista, que estava no Senado e já presidiu o Banco Central. Citando o famoso Maquiavel, importante pensador renascentista italiano, disse: é melhor fazer o que é complicado de cara, de uma vez, e depois ajustar.
É o que parece não estar sendo feito.