Waack: STF mergulha em crise que arrasta o país e a política
O principal acordão político do momento, feito para favorecer Lula na reeleição, tem como âncora e pivô o ministro Moraes e pelo menos dois de seus colegas dentro da Corte
O Brasil entrou numa grave crise, que ainda vai piorar. Nas aparências, causada pelo conteúdo dos celulares de um banqueiro preso por conduzir uma organização criminosa.
O que está ali sugere que um dos mais poderosos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, tornou-se funcionário de um fraudador que se organizou para cometer crimes. Essa suspeita em si é péssima.
Passou a ser intragável quando o STF, por razões corporativistas e políticas, não viu na conduta desse e mais um de seus integrantes, Dias Toffoli, razões para agir.
A Procuradoria-Geral da República também não, que já pediu nesta terça-feira (1) mesmo a nulidade da ação do ministro André Mendonça que acabou na coleta de dados que sugerem ter sido Moraes um advogado ao serviço do banqueiro.
Mesmo assim a decisão sobre a abertura de uma investigação contra Moraes deve ir ao plenário do Supremo, que não tem mais boas opções.
Se nada fizer, como foi o caso no começo do escândalo, aprofunda a crise institucional. Se fizer, também, pois a crise se alimenta do escândalo Master de forma mais ampla do que os detalhes desabonadores que surgem de material de celular.
O principal acordão político do momento, feito para favorecer do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reeleição, tem como âncora e pivô o ministro Moraes e pelo menos dois de seus colegas dentro do STF.
Tem a participação dos presidentes das Casas Legislativas, eles também preocupados com o envolvimento de seus nomes em escândalos.
A crise não se esgota no que possa acontecer com este ou aquele implicado no escândalo. Ela compromete o funcionamento das instituições e dos poderes da República. Compromete a legitimidade, o respeito a confiança que se deveria ter nelas.
Deixa surgir a assombração de desobediência civil, pois fortalece um forte sentimento subjetivo, que se aprofunda e espalha. O de nojo. Vai tudo depender de como a sociedade reagirá.



