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    “Wassef não tem interesse em proteger nem acusar” envolvidos no caso das joias, diz defesa

    Criminalista Eduardo Pizarro Carnelós diz que o advogado de Bolsonaro não mantém contato com outras pessoas chamadas a depor à PF

    Frederick Wassef, advogado de Jair Bolsonaro, depôs à PF sobre caso das joias na última quinta-feira (31)
    Frederick Wassef, advogado de Jair Bolsonaro, depôs à PF sobre caso das joias na última quinta-feira (31) DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

    Pedro Jordãoda CNN São Paulo

    A defesa do advogado Frederick Wassef afirmou que ele não tem interesse em proteger ou acusar quaisquer pessoas envolvidas no escândalo das joias.

    “Frederick Wassef não mantém contato com outras pessoas chamadas a depor, nunca tendo procurado combinar com ninguém o que dizer”, disse ainda, em nota, o criminalista Eduardo Pizarro Carnelós.

    O texto trata sobre “especulações” do que Wassef teria dito em depoimento à Polícia Federal na última quinta-feira (31).

    O que o advogado chamou de “versões fantasiosas e inverossímeis, mentiras crassas e ofensas a Wassef”.

    “Esclareço que ele não se manifestará sobre os fatos investigados, e qualquer informação que ele tiver será prestada às autoridades responsáveis pela apuração, cujo sigilo será sempre respeitado”.

    Wassef é advogado da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, em coletiva de imprensa no dia 14 de agosto, assumiu ter recomprado relógio de luxo vendido ilegalmente por ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

    O relógio em questão, um Rolex, teria sido dado a Bolsonaro de presente por autoridades de outro país e vendido por Mauro Cid.

    Leia a nota da defesa na íntegra

    “Nos últimos dias, têm sido divulgadas notas em vários órgãos de imprensa, atribuindo informações a fontes diversas, todas elas com especulações a respeito do que teria dito o advogado Frederick Wassef em seu depoimento à Polícia Federal, bem como sobre alegadas condutas dele.

    Referidas notas trazem versões fantasiosas e inverossímeis, mentiras crassas e ofensas a Wassef, numa evidente tentativa de indispô-lo com autoridades constituídas e com outras pessoas chamadas a prestar depoimento nas investigações, sem que ele próprio tenha feito nenhuma declaração a quem quer que seja, e que pudesse sustentar essas fofocas, cujo propósito adicional é macular sua credibilidade.

    Na condição de advogado de Wassef, esclareço que ele não se manifestará sobre os fatos investigados, e qualquer informação que ele tiver será prestada às autoridades responsáveis pela apuração, cujo sigilo será sempre respeitado.

    Frederick Wassef não mantém contato com outras pessoas chamadas a depor, nunca tendo procurado combinar com ninguém o que dizer. Na esfera adequada, relatará sempre o que sabe, já que não tem interesse em proteger nem acusar quem quer que seja.

    Quando deixou a sede da Polícia Federal em São Paulo no dia 31 de agosto, Wassef disse aos jornalistas que ele nada falaria, tendo até mesmo recusado revelar se respondera ou não às perguntas formuladas no depoimento, em respeito ao Supremo Tribunal Federal e à Polícia Federal, pois a investigação é sigilosa”.

    Veja também: Wassef diz que “jamais” mudou de versão sobre joias

    Linha do tempo do caso das joias

    • No dia 26 de outubro de 2021, a comitiva do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro retornou da Arábia Saudita em voo comercial;
    • No aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, os agentes da Receita Federal apreenderam um estojo com joias e uma escultura de um cavalo de ouro;
    • Em dezembro de 2022, a Presidência da República solicitou a retirada dos bens apreendidos. No entanto, não ficou claro se a solicitação era para a Presidência ou para o ex-presidente, que teria que pagar impostos sobre os bens;
    • Em 3 de março de 2023, o jornal “O Estado de São Paulo” revelou que a gestão de Jair Bolsonaro havia recebido presentes da Arábia Saudita que não haviam sido registrados no acervo da Presidência;
    • Em 5 de março, foi revelado que um segundo kit de presentes de luxo, contendo objetos da marca Chopard, estava no acervo privado de Bolsonaro. O kit incluía um relógio, abotoaduras, caneta e anel;
    • No dia seguinte, 6 de março, o então ministro da Justiça, Anderson Torres, determinou a abertura de um inquérito para investigar as joias. O ex-presidente foi intimado a devolver os bens à União no prazo de cinco dias;
    • Em 28 de março, foi revelado que Bolsonaro havia recebido um terceiro kit de joias da Arábia Saudita. A defesa do ex-presidente afirmou que os bens “foram devidamente registrados, catalogados e incluídos no acervo da Presidência da República”;
    • No dia seguinte, 29 de março, Bolsonaro e o ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, foram intimados a depor no inquérito das joias;
    • Em 11 de agosto de 2023, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, o pai dele, o general Mauro Lourena Cid, o ex-advogado de Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, e o tenente do Exército Osmar Crivolatti;
    • O inquérito aponta para uma “organização criminosa” com pelo menos quatro envolvidos na compra e venda de objetos valiosos da União, segundo a PF;
    • Desde então, foram sendo revelados diversos casos que culminaram na intimação para o depoimento coletivo de hoje;
    • No entanto, o depoimento não ocorreu, pois a defesa de Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro entrou com uma petição para permanecer em silêncio, alegando “conflito de competência” jurídica no caso.