Wilson Witzel pede para se retirar da CPI, e sessão é encerrada

Ex-juiz federal estava amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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Após cerca de cinco horas de depoimento, o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, comunicou o presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), que deixaria a sessão.

O ex-juiz federal estava amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que previa que o ex-governador do Rio pudesse ficar calado, não precisasse assumir o compromisso de dizer a verdade, e pudesse ser acompanhado por um advogado.

Em coletiva de imprensa na saída do Senado Federal — realizada pouco tempo depois de Witzel deixar a sessão –, o ex-governador ressaltou que participou da comissão na condição de testemunha e afirmou que pediu para deixar a CPI por conta de agressões proferidas por parlamentares.

“Respondi todas as perguntas. Agora, na medida em que começa a haver ofensas, da forma como o senador se dirigiu a mim, de forma ofensiva, de forma leviana, até mesmo chula. Infelizmente eu não posso continuar dessa forma. Estou aqui para ser respeitado e respeitar. Até o momento que nós estávamos conduzindo a sessão de forma civilizada, eu continuei. A partir do momento que ela se tornou uma sessão de xingamentos, como tem acontecido nas redes sociais, eu entendi, e os advogados também entenderam dessa forma, que seria o melhor encerrar”, justificou.

Embora tenha deixado a sessão enquanto o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) o questionava, Witzel não especificou qual parlamentar o fez tomar essa decisão.

Ele confirmou, no entanto, que solicitou à CPI que seja realizada uma sessão sob segredo de justiça para que se possa aprofundar nos fatos relacionados ao impeachment dele.

“Quem patrocinou meu impeachment financeiramente? Quem patrocinou meu impeachment politicamente de forma ilícita? Só a CPI independente, senadores, é que podem investigar. Aguardo agora mais um convite(…) para que eu possa colaborar com a CPI e avançar nas investigações sobre esses fatos”, disse.

Pouco antes do término da sessão, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), solicitou que ocorra uma sessão sigilosa com Witzel e o pedido foi atendido por Aziz. O relator Renan Calheiros (MDB-AL) sugeriu que ela ocorresse logo após ao depoimento de hoje, mas Witzel pediu mais tempo para “se preparar”.

Witzel voltou a dizer ainda que os governadores são perseguidos pelo Palácio do Planalto e que ele foi julgado por um “tribunal de exceção, que teve deputados escolhidos previamente com juízio condenatório”.

Na avaliação do ex-governador, a cassação dele atrapalhou o combate à Pandemia no Rio de Janeiro, visto que — segundo ele — foi o primeiro gestor estadual a tomar medidas rigorosas contra o vírus. Ainda segundo Witzel, a narrativa do governo federal “sempre o foi o negacionismo”.

Wilson Witzel presta depoimento à CPI
Wilson Witzel presta depoimento à CPI
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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